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Para as quase 60 mil pessoas que se encontram desaparecidas em combate, as autoridades ucranianas avançam apenas duas hipóteses: “ou estão mortos, ou em cativeiro russo”. É uma realidade que afeta muitas famílias na Ucrânia, abrangendo tanto soldados como civis, e num cenário onde parecem esgotados os recursos para os encontrar, surge uma nova tecnologia para procurar os desaparecidos: a inteligência artificial.
A política nas linhas da frente é de tentar ao máximo recuperar todos os corpos que caiam em combate — quer sejam russos ou ucranianos —, que mais tarde podem ser utilizados como moeda de troca num “procedimento de repatriação”, de acordo com o comissário para as “Pessoas Desaparecidas em Circunstâncias Especiais”, Artur Dobroserdov, em declarações à CNN Internacional. Contudo, admite que “é preciso ter sorte” para poder “encontrar e enterrar um ente querido” que tenha morrido no conflito e que nem sempre é possível recuperar os corpos.
É com estes casos em mente que a polícia ucraniana decidiu introduzir um novo mecanismo para a busca de desaparecidos em combate. No final de fevereiro, as autoridades publicaram modelos tridimensionais gerados com recurso a inteligência artificial, que “reconstroem” a cara de soldados. São estas projeções que publicam nos seus canais oficiais, e apelam à atenção dos cidadãos para mobilizar esforços e tentar encontrá-los em canais do Telegram russos, onde se faça a partilha de fotografias de prisioneiros de guerra.
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“Se reconhecerem algum dos vossos familiares e amigos que desapareceram por causa da guerra, por favor contactem-nos” — foi este o pedido feito pelas autoridades nacionais ucranianas, que explicam estar a testar esta nova tecnologia pela primeira vez. De acordo com a CNN Internacional, uma das plataformas utilizadas é a Clearview AI, que “permite aos utilizadores reconhecer rostos a partir de fotografias publicadas nas redes sociais“, abrindo as portas à identificação dos soldados que se encontram em cativeiro, existindo uma equipa de quatro pessoas destacada com este propósito.
Mesmo quando é possível reaver os restos dos ucranianos, até nos (poucos) casos em que os corpos são pré-identificados, é sempre preciso confirmar através de testes de ADN. Em alguns cenários, onde o que é recuperado não é o corpo na sua totalidade, mas sim um pacote com “vários fragmentos” humanos, “é difícil perceber se pertencem a uma, a 10 ou a 20 pessoas”. Assim, Dobroserdov explica que é “obrigatório” fazer esta análise ao material genético presente na amostra recebida. Em algumas ocasiões, continua, creem ter em mãos uma certa pessoa, devido a certas características que conseguem decifrar visualmente, mas que na verdade se trata de um outro indivíduo quando se examina com mais rigor.
“Recolhemos uma amostra de cada parte do corpo e criamos um perfil de ADN. Só libertamos o corpo depois de termos examinado todas as pessoas de uma repatriação. Porque não se pode fazer um pedido de identificação, enterrar uma pessoa e, passado algum tempo, encontrar mais restos mortais”, esclarece o comissário, relembrando episódios onde restos de um só corpo foram entregues em diferentes processos de repatriação. Caso a vítima não tenha familiares vivos, os peritos analisam também alguns pertences que deixaram para trás, de modo a tentar cruzar alguma correspondência de ADN.