A Jerónimo Martins (JM) vai desenhar um plano estratégico, que poderá incluir aquisições, para chegar a 2030 com vendas de 50 mil milhões de euros. No ano passado, as vendas da dona do Pingo Doce chegaram aos 33,5 mil milhões de euros. O presidente do grupo, Pedro Soares dos Santos, assume que o negócio agroalimentar poderá ter um papel importante nesta estratégia.

Passou uma década desde que a Jerónimo Martins começou a investir no setor agroalimentar, com produção própria de  laticínios, agropecuária, aquacultura, frutas e legumes. Agora, admite Pedro Soares dos Santos, é tempo de pensar nos próximos passos. “Construímos know how e uma ideia do impacto que pode ter para o grupo e estudámos muito como se desenvolve o negócio agroalimentar num mundo que está muito competitivo e onde a tecnologia joga um papel importante”, começou por explicar o presidente da dona do Pingo Doce na apresentação aos jornalistas dos resultados de 2024. Em 2025, o grupo (que entrou no ano passado no capital do Observador através do Recheio) vai “pensar o que pretende fazer do agro para o seu futuro”.

Questionado sobre se o grupo planeia fazer investimentos ou aquisições nesta área, Soares dos Santos remeteu esses detalhes para um plano estratégico que o grupo vai apresentar ainda este ano. “Queremos ser um player grande ou queremos só manter o que temos?”, atirou Soares dos Santos, sublinhando que “o que interessa agora é saber exatamente a importância que queremos dar a este negócio”.

“Tivemos uma década de grande crescimento e grande consolidação, agora temos de olhar para os próximos cinco anos. Esse vai ser o grande desafio desta direção executiva. Temos um número da cabeça, temos uma ambição que queremos atingir. Queremos chegar a 2030 ou 2029 a 50 mil milhões. Temos de pensar no caminho, o que as operações atuais podem valer e o que tem de se adquirido de novo para fazer parte do nosso portfólio” e aí o agro negócio poderá ter um papel relevante, admitiu, sem querer revelar mais detalhes como, por exemplo o peso de cada mercado (Polónia, Portugal, Colômbia e Eslováquia) neste plano. “O segredo é a alma do negócio”.

O mandato dos órgãos sociais da JM termina este ano e, questionado sobre se está disponível para continuar a ser presidente da administração e administrador delegado do grupo, Soares dos Santos remeteu a decisão para a administração e para a família. Mas admitiu que “vai haver um novo conselho de administração e alterações no atual conselho de administração”, que remeteu para”devido tempo”.

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Na apresentação dos resultados, a crise política não ficou de fora dos comentários de Pedro Soares dos Santos. O presidente da dona do Pingo Doce aproveitou para deixar um apelo aos partidos, já a pensar no cenário pós eleitoral. E deu a Alemanha como exemplo.

“A Europa enfrenta um grande desafio porque vai ter de ter uma visão partilhada para o mundo e não mais uma visão individual”, começou por dizer.

“Houve um sinal muito positivo, na minha opinião, na Europa, que foi o facto de na Alemanha, a CDU e os sociais democratas se terem alinhado imediatamente depois das eleições. Perceberam que estarmos divididos nos assuntos mais importantes, não termos uma visão partilhada nos maiores desafios que a Europa enfrenta é um grande erro”, defende.

“O que me deixa um bocado triste é não termos esta visão partilhada em Portugal em áreas cruciais que todos sabemos quais são, como a saúde, a justiça, ensino. E por não termos uma visão partilhada é que sofremos o que estamos a sofrer este ano, com mais umas eleições. A única coisa que posso dizer é: por amor de Deus, não fiquemos fora da Europa nesta missão e neste desafio por não nos conseguirmos entender”, apelou Pedro Soares dos Santos.

O líder da JM constatou que a instabilidade “não é amiga de ninguém”, mas notou que as empresas “quando sabem o que querem têm de saber viver com tempestades ou situações desagradáveis”. Mais uma crise política “não vai alterar o nosso caminho”, assegurou Soares dos Santos.

Na visão do responsável, a geopolítica mudou desde a pandemia e a situação “tem sido muito incerta para as empresas e para o mundo onde vivemos”. Esse impacto sente-se nas cadeias de abastecimento e na forma como as empresas investem, exemplificou. “Essa instabilidade não desapareceu nem vai desaparecer”, acredita.

Na apresentação dos resultados de 2024 esteve pela primeira vez presente a futura presidente da recém criada Fundação Jerónimo Martins, Marta Lopes Maia. O grupo vai propor a entrega de 40 milhões de euros dos resultados à fundação que, segundo Marta Lopes Maia, vai estar focada em três eixos “para mitigar vulnerabilidades internas e externas”: educação, saúde e emergência social e combate à pobreza. Vai ser uma entidade independente da Jerónimo Martins e ainda está a formar equipa e a constituir um escritório. O programa com iniciativas concretas será apresentado “mais tarde”.