A Jerónimo Martins (JM) apresentou um resultado consolidado de 599 milhões de euros em 2024, o que traduz uma queda de 20,8% face ao lucro de 2023. As vendas do grupo retalhista cresceram 9,3% para 33,5 mil milhões de euros, o que é atribuído em comunicado ao “investimento contínuo”.

O grupo liderado por Pedro Soares dos Santos reconhece que as margens operacionais foram “pressionadas pela combinação da deflação registada nos cabazes de diferentes insígnias com a significativa subida nos custos, principalmente de pessoal, em resultado da subida significativa do salário mínimo nos três principais países onde o grupo opera” — Portugal, Polónia e Colômbia. A margem caiu 41 pontos base, apesar do EBITDA ter subido 2,9% para os 2.232 milhões de euros.

Dona do Pingo Doce fecha 2024 com vendas de 33,5 mil milhões de euros, mais 9,3%

Em comunicado ao mercado, esta quarta-feira, a dona do Pingo Doce reconhece que “após os aumentos de preços extraordinários dos dois anos anteriores”, 2024 foi marcado “pelos duros efeitos da combinação de uma acentuada queda da inflação alimentar com a subida significativa dos custos“. Um contexto “particularmente difícil” para a retalhista, que enfrentou ainda “a falta de dinamismo do consumo”, sobretudo na Polónia, que é o principal mercado do grupo.

Na operação do retalho alimentar em Portugal continua a ser relevante o preço e as promoções. Já o canal HoReCa (hotelaria e restauração) “revelou alguma estagnação face ao forte desempenho dos anos anteriores, impactado principalmente pela fragilidade do consumo fora do lar”. As vendas do Pingo Doce cresceram 4,5% para os 5,1 mil milhões de euros.

Já as vendas do Recheio (cuja empresa entrou no ano passado no capital do Observador) atingiram 1,4 mil milhões de euros, 1,9% acima de 2023.

Na Polónia, aquela que é a ‘joia da coroa’ da JM, a Biedronka, fechou o ano com vendas de 23,6 mil milhões de euros, mais 9,6% do que em 2023. Já as vendas da Hebe, a marca da JM dedicada à saúde e beleza, atingiram 583 milhões de euros, 24,3% acima de 2023. O online já representa 20% das vendas da insígnia.

E na Colômbia, onde a JM opera com a Ara, as vendas atingiram 2,9 mil milhões de euros, 17% acima de 2023.

O conselho de administração da Jerónimo Martins vai propor à assembleia geral de acionistas um dividendo de 0,59 euros por ação (valor bruto), inferior aos 0,655 euros do ano passado, num valor total de 370,8 milhões de euros. A administração vai ainda propor a entrega de 40 milhões de euros à Fundação Jerónimo Martins.

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“Incerteza geopolítica” marca 2025

Na habitual mensagem que acompanha os resultados, o presidente do grupo, Pedro Soares dos Santos, sublinha também o “contexto de operação muito difícil” para as várias insígnias. Além dos fatores referidos, Soares dos Santos destaca ainda a “forte sensibilidade ao preço por parte dos consumidores, que se mostraram cautelosos e a intensificação da concorrência no mercado de retalho alimentar”. Ainda assim, o líder da dona do Pingo Doce fala num aumento, numa base comparável, do número de clientes, de vendas em volume e das quotas de mercado. No que toca a 2025, Soares dos Santos alerta para a incerteza da evolução geopolítica.

Em Portugal, o grupo espera este ano remodelar 50 lojas Pingo Doce e abrir 10 lojas novas. No comunicado, a JM refere que em Portugal, “apesar da subida do salário mínimo de 6,1% poder vir a contribuir para o aumento do consumo, persiste um contexto de consumo alimentar muito orientado para as promoções”.

No arranque de 2025 a JM expandiu a operação da Biedronka para a Eslováquia, com três lojas e um centro de distribuição. O grupo espera ter pelo menos 50 lojas no país até ao final de 2026.

Na Polónia, o grupo antecipa 130 a 150 aberturas da Biedronka, 250 a 275 remodelações e a inauguração de um novo centro de distribuição. Ainda na Polónia, a Hebe deverá ter 30 novas lojas.

Já na Colômbia, a JM espera abrir 150 novas lojas Ara aos quais devem juntar-se cerca de 70 supermercados Colsubsídio, uma insígnia que a JM comrpou na Colômbia e cuja operação ainda aguarda a aprovação das autoridades daquele país.

A Jerónimo Martins conta investir cerca de 1,1 mil milhões de euros em 2025, um valor em linha com os anos anteriores.