A criminalidade violenta e grave está em alta no próximo Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), com as violações, os roubos e a delinquência juvenil a destacarem-se nos números de 2024.
Segundo avançou o jornal Expresso esta segunda-feira, existe um aumento de quase 3% neste tipo de criminalidade, tendo sido participados em 2024 mais de 14 mil crimes às autoridades. O RASI de 2024, que deverá ser apresentado oficialmente ainda pelo atual Governo, indica que os crimes com maiores subidas foram as violações — que atingem o valor mais alto da década (543) —, assaltos a bancos, roubos por esticão, de viaturas, em edifícios comerciais/industriais e a residências.
As 543 violações denunciadas no ano passado representam uma subida de cerca de 10 por cento face aos números de 2023, quando tinham sido registados 494 crimes deste tipo. Ou seja, houve mais 49 violações reportadas às autoridades, sendo que o agressor — quase sempre do sexo masculino — e a vítima eram próximos em quase metade dos casos.
Por outro lado, há uma descida na criminalidade geral, com cerca de 355 mil crimes reportados no ano passado, o que traduz uma redução de quase 17 mil crimes (descida de cerca de 5%) face ao que se tinha verificado em 2023.
A violência grupal e a delinquência juvenil estão também em evidência neste RASI, com mais de sete mil participações sobre crimes praticados em grupo e que sinalizam um crescimento de quase 8% relativamente ao documento do ano passado, com especial destaque para as regiões de Lisboa, Porto e Setúbal.
Sem nomear a morte de Odair Moniz, no passado dia 21 de outubro na Cova da Moura (Amadora), o documento assinala os tumultos que se registaram nas semanas seguintes com a indicação de que vários participantes já estavam referenciados pelas autoridades e que recorreram às redes sociais para mobilizar para as ações de desordem pública. Segundo o RASI, a “capacidade de amplificação rápida de uma mensagem de ódio e de incitamento à violência (…) levou à escalada e generalização da violência”.
O relatório das autoridades nacionais apresenta ainda uma subida de 12% nos casos de delinquência juvenil (12-16 anos), para um total superior a duas mil participações em 2024.
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