Já se cruzou nas redes sociais com ‘memes’ ou até imagens de situações reais, como a discussão na Sala Oval, com um estilo de animação japonês? A culpa é da atualização feita pela OpenAI ao ChatGPT esta semana.
Esta terça-feira, a OpenAI lançou uma ferramenta chamada “Imagens no ChatGPT”, que permite a um utilizador gerar imagens dentro do chatbot. Ainda que já fosse possível usar o Dall-E, o modelo para gerar imagens desenvolvido pela OpenAI, não havia uma integração tão simples no chatbot. Outra das novidades é o facto de se poder carregar uma imagem e pedir ao ChatGPT (que utiliza o seu modelo Dall-E) que aplique um filtro — por exemplo, com estilos de animação específicos.
É justamente a parte dos filtros que conquistou milhares de pessoas online. Nos últimos dias, uma das opções tornou-se viral: o filtro que dá às imagens o estilo de animação do Studio Ghibli, do japonês Hayao Miyazak, conhecido por filmes como O Meu Vizinho Totoro (1988) ou A Viagem de Chihiro (2001).
Ao princípio, as imagens nas redes eram de fotografias de família transformadas em animações do estúdio japonês ou imagens dos animais de estimação. Até que os utilizadores de redes sociais, principalmente do X, se dedicaram a transformar fotografias conhecidas, como a dos ataques terroristas do 11 de Setembro e o momento em que o então Presidente George W. Bush é avisado dos ataques.
— mihir (@__mihir) March 26, 2025
Também há exemplos com fotografias mais recentes, como algumas imagens de Donald Trump: o momento do ataque durante a campanha, a ocasião em que serviu batatas fritas num drive-through ou o momento da discussão com o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na Sala Oval.
American Saga – studio Ghibli style pic.twitter.com/ax5AzVviPo
— Mikołaj Teperek (@MikolajVonskyT) March 26, 2025
Até Pedro Nuno Santos, secretário-geral do PS, aderiu à moda do filtro ao estilo Studio Ghibli.
Animação? Não me falta ???? pic.twitter.com/1e2eQMsYcj
— Pedro Nuno Santos (@PNSpedronuno) March 27, 2025
Sam Altman, o CEO da empresa, também adotou uma imagem com este estilo de animação como avatar da rede social X. Mas confessou que a OpenAI foi surpreendida com a popularidade da nova funcionalidade de imagem. “As imagens no ChatGPT são muito mais populares do que esperávamos (e já tínhamos expectativas bastante altas).” Assim, explicou que a disponibilização das ferramentas de imagem na “versão grátis [do ChatGPT] infelizmente vai ser adiada por algum tempo”. Ou seja, só os utilizadores que pagam pelo ChatGPT é que têm acesso integral à área dos filtros.
changed my pfp but maybe someone will make me a better one
— Sam Altman (@sama) March 26, 2025
Algum tempo depois, num novo tweet, Altman deu mais algumas informações. “É super divertido ver que as pessoas estão a adorar as imagens no ChatGPT, mas os nossos GPU [unidades de processamento gráfico] estão a derreter”, dando ênfase à procura que a ferramenta está a ter. “Vamos ter de introduzir temporariamente alguns limites de uso enquanto estamos a trabalhar para tornar isto mais eficiente”, esperando que “não demore muito tempo”. As versões gratuitas do ChatGPT vão ter um limite de três pedidos para gerar imagens por dia “em breve”, acrescentou.
it's super fun seeing people love images in chatgpt.
but our GPUs are melting.
we are going to temporarily introduce some rate limits while we work on making it more efficient. hopefully won't be long!
chatgpt free tier will get 3 generations per day soon.
— Sam Altman (@sama) March 27, 2025
Num teste feito pelo Observador, um pedido para gerar uma imagem com o estilo de animação do Studio Ghibli recebeu uma resposta negativa. “Não consegui gerar a imagem com o estilo do Studio Ghibli devido à nossa política de conteúdo. Se desejar, posso tentar outro estilo ou fazer ajustes diferentes”, respondeu o ChatGPT. Nem mesmo com um pedido de ajuste com o nome de um dos filmes recebe uma resposta semelhante: “Não posso gerar imagens diretamente no estilo de animação de A Viagem de Chihiro (ou qualquer obra específica do Studio Ghibli) devido à nossa política de conteúdo.”
Porém, é o próprio ChatGPT que faz a sugestão de “criar uma versão inspirada em um estilo de animação semelhante, com traços suaves, cores vibrantes e um toque de fantasia”.
Ao The Verge, Taya Christianson, porta-voz da OpenAI, explicou que a empresa adicionou ao ChatGPT a possibilidade de “recusa quando um utilizador tenta gerar uma imagem com o estilo de um artista vivo”. A mesma porta-voz contextualiza que o ChatGPT não bloqueia a “capacidade de transformar em animação as imagens de figuras públicas, mas que foram implementados os mesmos limites que são usados para editar imagens fotorrealistas de pessoas”.
Miyazaki, que tem 84 anos, é declaradamente contra o uso de inteligência artificial na animação. Em 2016, ainda antes do boom do ChatGPT, o realizador esteve presente numa reunião em que foi apresentada uma animação gerada por IA. Conforme cita a IndieWire, o japonês falou num “insulto à vida em si”. “Nunca quereria incorporar de forma alguma esta tecnologia no meu trabalho”, citou o site. “Sinto que estamos perto do fim dos tempos. Nós, humanos, estamos a perder a fé em nós mesmos…”, comentou quando ouviu que um dos animadores queria criar uma máquina capaz de gerar animação e “desenhar imagens como os humanos fazem”.
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