Dois assessores de Benjamin Netanyahu acusados no âmbito do Qatargate, Eli Feldstein e Yonatan Urich, foram detidos esta segunda-feira pela polícia israelita. Na sequência, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, também esteve a ser questionado pelas autoridades judiciais.

Ambos os assessores estão a ser investigados por alegadamente receberem dinheiro do Qatar para favorecerem Doha na tomada de decisões dentro do Governo israelita. Urich e Feldstein serão levados amanhã a tribunal em Rishon LeZion, onde a polícia deverá pedir para que a detenção seja prolongada, segundo o Times of Israel.

Já Netanyahu esteve a ser questionado pelas autoridades durante duas horas, menos duas do que as quatro que o próprio disse que o interrogatório estava previsto durar.

“A polícia disse que precisavam de quatro horas, mas ao fim de uma hora, ficaram sem perguntas“, acusou o primeiro-ministro, num vídeo publicado no Telegram. “Eu disse: ‘Mostrem-me alguma coisa’, mas eles não tinham nada“, acrescentou.

Do dinheiro recebido por assessores à demissão de um rival de Netanyahu: o que é o Qatargate israelita?

Para o primeiro-ministro, as detenções dos assessores, o interrogatório e todo o caso são formas encontradas pela justiça para instalar uma “perseguição política” contra ele próprio, relembrando o caso da polémica demissão do chefe do serviço de informações militares, Shin Bet. “Percebi que se tratava de uma investigação política, mas não sabia quanto, e também que estavam a manter Urich e Feldstein como reféns”, acrescentou ainda o líder no vídeo.

“A detenção brutal de Yonatan Urich é um novo ponto baixo na luta política para derrubar um primeiro-ministro de direita e impedir a demissão do chefe fracassado do Shin Bet”, disse, por seu turno, o Likud, citado pelo Jerusalem Post.

Para o partido, um “grupo jurídico em pânico” está a tentar “intimidar Yonatan Urich para obter um falso testemunho contra o primeiro-ministro através de extorsão e detenção indevida“.

Famílias de reféns e oposição criticam primeiro-ministro

A comparação dos assessores a “reféns” pelo primeiro ministro israelita, no meio de um confronto que ainda mantém 59 israelitas sequestrados em Gaza desde 7 de outubro de 2023, foi altamente criticada pelos familiares dos reféns e pela oposição.

O fórum das famílias dos reféns em Gaza, citado pelo Haaretz, afirmou que Netanyahu estava “confuso” quando fazia esta comparação entre ambos, tendo-se demonstrado também “indignados e profundamente magoados” com as palavras do chefe do governo.

“Recordamos que os verdadeiros reféns são os nossos 59 irmãos e irmãs que estão detidos em Gaza há 542 dias. É melhor que esvazie a sua agenda e nos reconheçam”, acrescentou o fórum.

Benny Gantz, ex-ministro de Netanyahu, acusou igualmente o primeiro-ministro de estar “desligado” da realidade, ao comparar os detidos com aqueles que ainda são mantidos em Gaza pelo Hamas.

“Os nossos reféns, que foram raptados sob a sua supervisão, não são aqueles que trabalharam com o Qatar durante a guerra e foram detidos por um dia para serem interrogados, mas sim aqueles que têm estado a definhar nos túneis com o inimigo há 542 dias”, acrescentou Gantz, líder do partido Unidade Nacional, na rede social X.

Já o líder da oposição, Yair Lapid, lembrou esta segunda que o comunicado emitido pelo Likud não negou que algum membro do governo tenha recebido dinheiro do Qatar.

Para Lapid, a razão pela qual não houve nenhuma negação foi porque “pessoas no gabinete de Benjamin Netanyahu receberam dinheiro de um país hostil durante a guerra”.

“É sobre isso que ele [Netanyahu] está a ser questionado agora, é sobre isso que todos eles precisam ser questionados“, rematou.