O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a apresentação de uma proposta de lei para revogar a cidadania e exercer pressão a quem “difamar” o exército israelita.
“Vamos apoiar os nossos heroicos guerreiros. Vamos revogar a cidadania de qualquer um que difamar soldados das [Forças de Defesa de Israel] no exterior – e atingi-los com força no bolso”, garante, num vídeo publicado nas redes sociais.
אנחנו נשמור על הלוחמים הגיבורים שלנו. נשלול אזרחות למי שיכפיש את חיילי צה״ל בעולם – ונפגע לו עמוק בכיס. pic.twitter.com/ziS6N37Jpe
— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) September 16, 2026
Alguns dos exemplos citados por Netanyahu são as declarações do líder do partido liberal de esquerda Democratas, que, no ano passado, afirmou que “um país são não mata crianças por diversão”, e o documentário Naza, que denuncia os ataques em Gaza, mais concretamente o uso de sistemas de inteligência artificial para identificar alvos.
Na segunda-feira, Miki Zohar, ministro da Cultura israelita, tinha afirmado que iria retirar a cidadania dos jornalistas Yuval Abraham e Rachel Szor, que participaram no documentário, sob a acusação de “traição”. Em reação ao anúncio de Netanyahu, Zohar afirmou, citado pelo Jerusalem Post, que “era tempo de colocar um fim a esta desgraça”.
O primeiro-ministro israelita tinha afirmado na segunda-feira que o documentário incitava ao antissemitismo e era “intolerável”. “Estamos a combater a incitação ao ódio antissemita a nível global, mas quando vem de dentro, de entre nós, é simplesmente intolerável”, afirmou num vídeo publicado nas redes sociais.
O documentário, produzido pelo jornal britânico The Guardian, ganhou o prémio especial do júri no Festival de Cinema de Veneza no sábado, e recebeu a maior ovação de sempre no festival.
Desde o seu lançamento, tem vindo a ser duramente criticado pelos líderes políticos e militares israelitas, por denunciar a utilização de estratégias de espionagem telefónica e sistemas de inteligência artificial para identificar alvos na ofensiva na Faixa de Gaza. No documentário, participaram 24 oficiais e soldados dos Serviços de Informações israelitas, que falaram sob anonimato.
Em resposta ao lançamento do documentário, o chefe do Estado-Maior do Exército israelita afirmou na segunda-feira que pretendia agir judicialmente contra o documentário, e ordenou uma investigação sobre fuga de informação.