Depois da vitória esmagadora, a tomada de posse. No final da última semana, Reinaldo Teixeira tornou-se no 11.º presidente da Liga Portugal, sucedendo a Pedro Proença. Na eleição que visava eleger o sucessor do agora presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para os restantes dois anos do mandado 2023-2027, o antigo presidente da Associação de Futebol do Algarve superou José Gomes Mendes com 42 votos, contra dez do adversário. Para esta vitória contribuiu o apoio dos clubes da Primeira Liga, com apenas FC Porto, Sp. Braga e Estoril a juntarem-se a Gomes Mendes. Cinco dias depois, chegou a hora de chegar oficialmente ao cargo.

Depois de Pedro Proença, Reinaldo Teixeira: ex-presidente da AF Algarve derrota José Gomes Mendes e é o novo líder da Liga Portugal

Foi esta quarta-feira que Reinaldo Teixeira foi empossado presidente do organismo que tutela o futebol profissional em Portugal, numa cerimónia que decorreu na Arena Liga Portugal, no Porto. Depois de apresentado um vídeo inicial, onde foram recordados os anteriores presidentes, Pedro Costa Azevedo, vice-presidente da mesa da Assembleia Geral, deu início à cerimónia, empossando os novos diretores. O novo presidente começou por receber um prémio de mérito e excelência pelo trabalho anteriormente desenvolvido no organismo e deu as boas vindas a Pedro Duarte, ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto, Valentim Loureiro e Hermínio Loureiro, ex-presidentes da Liga Portugal, e Pedro Proença, que estiveram presentes.

“Guardarei para o resto da vida o calor humano que as sociedades desportivas me deram durante este ato eleitoral. Obrigado a todos por voltarem a encher este auditório. Enchem também o meu coração com a vossa presença. Sabem que jamais que esquecerei o carinho demonstrado nas últimas semanas. É com orgulho que aqui estou para suceder à minha amiga Helena Pires e ao dr. Pedro Proença, a quem agradeço e reconheço o contributo para esta casa do futebol profissional. Sublinho o comportamento de José Gomes Mendes e recordarei a forma como acolheu a minha palavra um dia após as eleições e guardarei o gesto que assumiu aos afastar-se das funções de presidente da mesa da Assembleia Geral”, começou por dizer.

“Chegou a oportunidade de um tempo novo”: Reinaldo Teixeira oficializa candidatura à Liga Portugal

“Tal como previsto, esse facto vai provocar uma eleição para a mesa, para a qual indicarei o comendador António Saraiva. Fico-lhe muito grato por ter aceite este desafio. Esta eleição prestou um tributo ao valor da palavra. Palavra dada, palavra honrada. A votação do último dia 11 foi um extraordinário exemplo da elevação institucional. A expressão do voto confirmou praticamente todos os posicionamentos anunciados em plena campanha no apoio à minha candidatura. Foi dado um extraordinário exemplo de confiança e de compromisso por parte de praticamente todas as sociedades desportivas. Isso deve orgulhar-nos e dar ainda mais significado aos 81% de votos, um dos maiores resultados na história das eleições da Liga Portugal”, acrescentou.

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“Agora eleito, não posso deixar de devolver um compromisso redobrado, reiterando aquela que deve ser a minha missão: ser o presidente de todas as sociedades desportivas, com imparcialidade, transparência e valores. Tudo farei com a minha equipa para estar à altura do que somos. Liga Portugal, uma ‘Liga para Todos’, para todas as sociedades desportivas, para os adeptos e para o país. Proponho hoje um pacto pelo futebol profissional, ancorado na força dos valores comuns, focado no objetivo da sustentabilidade das nossas sociedades desportivas e no valor das nossas competições. A realidade é crua e pede urgência. Sejamos claros, estes primeiros dias evidenciaram o ponto em que estamos. Tenho a obrigação de afirmar: as narrativas não podem sobrepor-se à realidade. É nossa obrigação liderar a Liga Portugal reconectando o discurso aos dados e as intenções aos resultados”, referiu Teixeira, numa altura em que as críticas às arbitragens está na ordem do dia.

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Como um dos principais desafios para o mandato que agora começa, está o tema da centralização dos direitos televisivos, já que, até junho do próximo ano, a Liga Portugal e a FPF têm de apresentar uma proposta junto do Governo e da Autoridade da Concorrência sobre o modelo de comercialização dos direitos, que entrará em vigor a partir da temporada 2028/29. Antes desta eleição, Proença prometeu que nenhum sairia prejudicado, no entanto o processo deverá ser complexo, não se perspetivando um consenso entre os clubes que mais recebem atualmente — os chamados três grandes — e os restantes. No discurso, Teixeira lembrou que “essa tem sido a principal bandeira desta casa”, mas lamentou “não ter sido possível concretizá-la”.

“Falta um ano para entregar o projeto. Hoje, a Liga não tem nenhuma proposta de aquisição dos direitos. Hoje, a Liga não tem uma chave de repartição futura aprovada pelas sociedades desportivas. É este o nosso ponto de partida. O exemplo francês e a realidade do mercado dizem que as avaliações à nossa Liga podem ficar aquém das nossas expetativas. Temos de sair rapidamente dos estudos e ir falar rapidamente com o mercado. Solicitámos já reuniões formais a todos os operadores e plataformas a operar no mercado português. O resultado dessas reuniões será transmitido brevemente, sem filtros, a todas as sociedades desportivas. Não vamos desistir. A centralização será o momento que vai refundar o futebol português. Enfrentamos uma oportunidade histórica e devemos procurar agarrá-la”, sublinhou.

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“Escolhi candidatar-me porque acredito que a transformação do futebol se fará com valores e com capacidade de execução. O futebol pode e deve ser exemplo. A sua força de entendimento estender-se-à a todos os parceiros, incluindo os municípios. Estamos ao lado dos municípios, procurando soluções construtivas, com valores, ética e transparência. O pacto do futebol profissional tem que chegar mais longe e ser acolhido pelo Governo. Num tempo de mudança, o futebol deve ser referência de enquadramento de prática desportiva e de entretenimento. Pedimos ao nosso Governo que nos dê a oportunidade de melhor cumprirmos a nossa missão social, corrigindo as injustiças de que somos alvo nos seguros, na fiscalidade e, em particular, no IVA da bilhética. Este é um dossier prioritário”, pediu.

“A Liga Portugal em que me revejo será sempre exemplo nos comportamentos e na articulação com a tutela e todos os agentes do futebol. Com esta Liga Portugal, todos estamos convidados a fazer parte do pacto do futebol, construindo um ambiente saudável, positivo, capaz de educar comportamentos e valorizar o espetáculo e de fazer crescer o produto. O pacto pelo futebol profissional não pode existir sem o apoio da FPF. Temos de ser melhores e fazer mais. Teremos uma Liga Portugal aberta à criatividade e à inovação. Todos os investimentos devem ser orientados com dois objetivos: o produto e gerar valor para as sociedades desportivas”, concluiu, dirigindo-se a Proença, num discurso que durou quase 30 minutos.

A direção da Liga Portugal empossada esta quarta-feira

  • Reinaldo Teixeira: Presidente;
  • André Mosqueira do Amaral: diretor executivo de Centralização, Financeiro, Tecnologia, Planeamento Estratégico, Comercial e Conteúdos e Recursos Humanos;
  • Paulo Mariz Roseira: diretor executivo de Jurídico e Registo de Contratos, Controlo Económico e Licenciamento, Apoio aos Órgãos de Justiça, Sistema de Gestão Integrado, Apoio à Direção Executiva e Competições;
  • Susana da Silva Curto: diretora executiva com os pelouros de Marketing e Eventos, Infraestruturas, Business School e Fundação do Futebol.