Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre economia.

A Califórnia, estado norte-americano liderado pelos democratas, contestou esta quarta-feira em tribunal as tarifas de Donald Trump, sustentando que o Presidente dos Estados Unidos não as pode impor sem a aprovação do Congresso.

“Trump não tem o poder unilateral de alterar radicalmente a paisagem económica do país. Não é assim que a nossa democracia funciona”, explicou o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, numa conferência de imprensa.

“O Congresso não autorizou estas tarifas, muito menos impôs tarifas e depois aumentou-as, suspendeu-as e voltou a impô-las imediatamente por capricho”, insistiu.

O banqueiro, a China, os republicanos ou o “castelo de cartas” no mercado de dívida. Quem fez Trump recuar nas tarifas?

Desde que regressou ao poder, o bilionário republicano mergulhou o mundo numa guerra comercial, invertendo décadas de comércio livre, em nome da proteção dos interesses norte-americanos.

A China está sujeita a tarifas norte-americanas de 145% e certas importações do Canadá e do México são taxadas a 25%.

“O céu não vai cair.” China reage às tarifas de forma firme, paciente — e com memes na internet

No início de abril, Donald Trump também introduziu tarifas de 10% sobre produtos de dezenas de países de todo o mundo e prometeu novas taxas, ainda mais punitivas, antes de as suspender.

Dos 10% aplicados ao Reino Unido aos 50% sobre o Lesoto. Todas as tarifas anunciadas por Donald Trump

Berço do setor tecnológico, o Estado mais populoso do país é também o principal motor industrial dos Estados Unidos e líder no fabrico de produtos agrícolas, dependendo, em grande medida, das relações comerciais com o México, Canadá e a China.

“Nenhum outro Estado será mais afetado pelas consequências desta incerteza”, denunciou o governador da Califórnia, Gavin Newsom, referindo-se aos EUA.

“Isto é uma imprudência. (…) Este tipo está a destruir a economia dos Estados Unidos“, acrescentou o democrata de 57 anos, que é regularmente apontado pela imprensa norte-americana como tendo ambições presidenciais para 2028.

Newsom acusou Donald Trump de ter “traído as pessoas que o apoiaram“, sublinhando que a guerra comercial está a afetar particularmente os agricultores, que votaram em larga escala no empresário republicano.

Aumento das tarifas pode desagradar aos eleitores. Mas, com Trump, pode ser sempre “barulho sem consequências”

O governador denunciou também a queda dos mercados provocada pela política protecionista de Trump, que está a corroer as “poupanças de reforma” dos americanos.

No início de abril, o governador já tinha anunciado que a Califórnia ia procurar acordos com o resto do mundo para ficar isenta de futuras retaliações aduaneiras contra os Estados Unidos.

UE prevê que tarifas dos EUA se mantenham. Comissário europeu do comércio não consegue perceber objetivos dos EUA

De acordo com a ação judicial lançada esta quarta-feira, a lei de 1977 que Trump invoca para impor tarifas por decreto presidencial não lhe confere esse poder, que a Constituição dos EUA atribui ao Congresso.

“Onde está o Congresso? (…) Façam o vosso trabalho!”, atacou Newsom, referindo-se à maioria republicana no Senado e na Câmara dos Representantes.

Esta é a décima quinta ação judicial interposta pela Califórnia contra a Administração Trump desde que o bilionário republicano regressou ao poder.

O estado democrata insurge-se, entre outras coisas, contra a contestação do direito à terra e contra o poder concedido a Elon Musk para cortar o orçamento do Governo federal.

Durante o seu primeiro mandato, a Califórnia liderou a resistência a Donald Trump, apresentando mais de 120 ações judiciais contra o seu governo.

Entretanto, a Casa Branca criticou já o novo procedimento judicial de Los Angeles. “Em vez de se concentrar no crime desenfreado, nos sem-abrigo e no custo de vida inacessível na Califórnia, Gavin Newsom está a gastar o seu tempo a tentar bloquear os esforços históricos do Presidente Trump para finalmente remediar a emergência nacional que são os défices comerciais persistentes do nosso país”, reagiu um porta-voz, citado pelos meios de comunicação californianos.