1248,7kWh poupados 1248,7 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Algemado, posto num avião e acusado de beber álcool. Senador Democrata que se encontrou com homem deportado por engano contou a sua história

Este artigo tem mais de 1 ano

Van Hollen viu a sua entrada na prisão bloqueada, mas conseguiu reunir-se com Kilmar. Presidente de El Salvador acusou ambos de beberem margaritas durante o encontro, mas senador nega.

Chris Van Hollen, senador do Maryland, encontra-se com Kilmar Abrego Garcia em El Salvador. 17 de abril de 2025
i

Instagram/chrisvanhollen

Instagram/chrisvanhollen

O senador Chris Van Hollen reuniu-se com Kilmar Abrego Garcia, o homem salvadorenho que foi deportado dos Estados Unidos e preso na CECOT, uma das piores prisões do mundo, por causa de um “erro administrativo” do executivo norte-americano. O encontro desta quinta-feira foi a primeira vez que alguém conseguiu estabelecer contacto com Kilmar desde que foi deportado, há mais de um mês.

“Liguei à sua mulher, Jennifer, para transmitir a sua mensagem de amor”, escreveu Van Hollen numa publicação nas redes sociais, em que partilhou uma imagem, tirada num hotel da capital de El Salvador, à conversa com Kilmar. A última imagem que Jennifer tinha do marido era a da sua chegada a CECOT, algemado, de tronco nu e cabelo rapado e a única informação, transmitida pelo governo norte-americano, era que estava “vivo e seguro na prisão”.

Mais tarde, depois de regressar, Van Hollen falou aos jornalistas, defendendo que é preciso acabar com o “rapto ilegal” de Kilmar e trazê-lo para casa — não só pelo próprio, mas pela “proteção dos direitos constitucionais de todos os que vivem nos Estados Unidos”: “Se negarmos os direitos constitucionais de um homem, pomos em risco os direitos constitucionais de toda a gente na América”.

O senador partilhou alguns detalhes sobre as conversas que teve com Kilmar Abrego García durante o encontro. Segundo estes relatos, Abrego García estava no carro com o filho, um menino autista com quem está muito preocupado, quando foi parado por agentes de imigração e levado para o primeiro centro de detenção, em Baltimore. Foi aí que, segundo conta, lhe foi negado o direito de fazer uma chamada telefónica para avisar a família do que lhe tinha acontecido. Depois disso, foi levado para o Texas, algemado e sem explicações foi posto num avião “com outras pessoas, e não conseguiam olhar pela janela”.

Foi então que foi levado para a prisão de máxima segurança, CECOT, em El Salvador, onde estaria a partilhar uma cela com cerca de 25 pessoas, “traumatizado” e “com medo” dos outros presos, que estavam a chamá-lo e a provocá-lo. Durante todos estes dias, disse a Van Hollen, “pensar na família” é o que lhe tem dado força para continuar. Entretanto, terá sido deslocado para outro centro de detenção, não estando já na prisão de segurança máxima e encontrando-se num local “fora de San Salvador”.

A mulher de Abrego García, Jennifer, reagiu em comunicado, declarando que a prova de vida do marido comprova que “os esforços da família e da comunidade na luta pela justiça estão a ser ouvidos”.

Van Hollen, senador do Partido Democrata pelo estado do Maryland — onde Kilmar é residente — deslocou-se a El Salvador com “o objetivo principal de se encontrar com Kilmar”. No entanto, este encontro começou por ser negado pelas autoridades salvadorenhas, denunciou o democrata na quinta-feira de manhã. “Viemos aqui verificar o seu bem-estar”, acrescentou, num vídeo publicado nessa altura, em que declarou que impedir o contacto entre Kilmar e os advogados se trata de uma “violação do Direito Internacional”.

Antes, Van Hollen já se tinha encontrado com o Presidente salvadorenho, Nayib Bukele, que o impediu de entrar na prisão. Ainda assim, o senador deslocou-se ao local, onde lhe foi negada a entrada. Na segunda-feira, Bukele esteve em Washington, onde afirmou que não iria libertar Kilmar. O Supremo Tribunal ordenou à administração Trump que corrija o “erro” que levou à deportação e “facilite” o regresso do homem de 29 anos aos Estados Unidos, mas o executivo respondeu que essa decisão cabe a El Salvador.

Foi deportado por engano para uma das piores prisões do mundo, mas Trump recusa trazê-lo de volta

Bukele partilhou outras três fotos do encontro entre Kilmar e Van Hollen, como uma legenda em tom de troça. “Kilmar Abrego Garcia, milagrosamente renascido dos ‘campos da morte’ e da ‘tortura’, bebe margaritas no paraíso tropical”, lê-se numa publicação. “Agora que se confirmou que está saudável, tem a honra de ficar sob custódia de El Salvador”, escreveu Bukele noutra.

Mas, de regresso aos EUA, o democrata veio contar que quando se sentaram só tinham copos de água à frente, na mesa, e “talvez algum café”, mas passado algum tempo “uma das pessoas do governo” colocou à frente de ambos dois copos com gelo e açúcar ou sal na borda, “que pareciam margaritas“.

Nenhum “tocou” sequer nas bebidas, veio garantir Van Hollen, tecendo acusações diretas ao governo de El Salvador: “Se olharem para a que puseram em frente ao Kilmar, tinha um pouco menos de líquido do que a minha, tentando que parecesse — assumo eu — que ele bebeu”.

As acusações de Van Hollen estenderam-se à administração norte-americana, garantindo que o governo de Trump terá prometido pagar 15 milhões de dólares a El Salvador para deter estas pessoas, e que os EUA já terão pagado quatro milhões até agora.

A Casa Branca não comentou diretamente o encontro entre Van Hollen e Kilmar, mas a porta-voz, Karoline Leavitt reafirmou as alegações de que o homem é membro de um gangue, o MS-13, e que “nunca irá viver nos EUA”, num desafio à ordem do Supremo. Já Cory Booker, o número quatro do Partido Democrata no Congresso, também se vai deslocar a El Salvador para se reunir com Kilmar.

Trump diz que “não tem interesse” em Ábrego García

Em declarações na Casa Branca, Donald Trump frisa que Kilmar Ábrego García “não é muito inocente” e que tem um histórico “inacreditavelmente mau”. O Presidente dos Estados Unidos da América passou ainda por ler um “documento certificado” sobre o cidadão que foi deportado para El Salvador, que relata os episódios do seu registo criminal e as associações ao gangue MS-13.

Assim, Trump diz que não tem qualquer “interesse” em promover esforços para fazer Kilmar regressar a casa, ao estado de Maryland, porque é um “falso”.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.