Num só dia, os Estados Unidos fizeram questão de deixar, a várias vozes, três recados diferentes sobre a guerra na Ucrânia, com o próprio Presidente dos EUA a avisar: a administração Trump acredita que vão conseguir “travar” o conflito, mas se Rússia e Ucrânia “dificultarem” essa resolução, então os norte-americanos estarão prontos para “seguir em frente”.

Durante a tarde desta sexta-feira, Donald Trump falou aos jornalistas a partir da Casa Branca e mostrou estar, para já, confiante no acordo entre Ucrânia e Rússia que tem estado a tentar promover: “Vamos travar isto, idealmente, agora”, prometeu, falando numa estatística de “2500 jovens que morrem por semana” no conflito e garantindo que, se já então fosse Presidente, nem a guerra na Ucrânia nem o 7 de outubro, em Israel, teriam acontecido.

Falando com os jornalistas, Trump respondeu a uma pergunta sobre o que “precisa de ver” da parte da Rússia e da Ucrânia para acreditar num acordo: “Sei quando as pessoas estão a manipular-nos e preciso de ver entusiasmo e acho que vejo de ambos os lados. Mas vão saber isso rapidamente. Ninguém está a manipular ninguém, acho que temos boas hipóteses de pôr um fim a isto”.

No entanto, um aviso à navegação, equiparando o país invasor ao país invadido e avisando que não vai “aceitar” que os dois países andem a “jogar jogos”: se “alguma das partes dificultar muito” um acordo na Ucrânia, os Estados Unidos vão “seguir em frente”.

As declarações de Trump surgiram no seguimento de um aviso em tom mais duro do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, depois de nesta quinta-feira se ter reunido com autoridades europeias e ucranianas.

“Se não for possível acabar com a guerra na Ucrânia, precisamos de seguir em frente”, defendeu o responsável da administração Trump. “Não é a nossa guerra. Nós não começámos. Os Estados Unidos têm ajudado a Ucrânia nos últimos três anos e queremos que isso acabe, mas não é nossa guerra”, continuou o responsável, lembrando ainda como Trump passou 87 dias “ao mais alto nível” empenhado em pôr fim ao conflito, sem sucesso. “Estamos agora a chegar a um ponto em que precisamos de decidir e determinar se isso é possível ou não. É por isso que estamos a envolver os dois lados.”

Já o vice-presidente, JD Vance, o terceiro protagonista norte-americano a falar da situação na Ucrânia em poucas horas, deu uma perspetiva mais “otimista” sobre as possibilidades de o conflito acabar em breve, em reunião com a primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni. JD Vance disse ter “coisas interessantes para relatar” sobre o andamento das negociações.

“Uma vez que estão negociações em curso, não as vou julgar de forma precoce, mas sentimo-nos otimistas que poderemos acabar com esta guerra brutal”, afirmou o vice-presidente norte-americano, citado pela Reuters.