O antigo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva publicou um artigo de opinião no Observador em que defende Luís Montenegro em toda a linha, considerando que tem qualidade superior aos restantes candidatos nas legislativas de 18 de maio tendo em conta três critérios: capacidade política e técnica, a dimensão ética na vida política e a proposta de política geral do Governo. Cavaco Silva acusa “partidos da oposição” e também “alguma comunicação social” de fazerem “campanha de insinuações” contra Luís Montenegro mais centrada na “devassa da vida privada”. E, com base nessas informações, chegou a uma conclusão: “Não inferi que Luís Montenegro tenha violado quaisquer princípios éticos ou cometido ilegalidades.”
Depois de ter feito declarações na sexta-feira à Rádio Renascença sobre a avaliação do atual primeiro-ministro, o ex-Presidente da República aprofunda agora a reflexão — que garante ser objetiva. Cavaco Silva chega a dizer que, no caso Spinumviva, Montenegro cometeu “inicialmente um erro de avaliação” que acabou por “corrigir” de forma “superlativa” provando a sua “boa-fé”.
Caso Spinumviva: “Campanha de insinuações confusa e desinformativa”
Com o primeiro-ministro debaixo de fogo há quase três meses devido ao caos Spinumviva, a empresa familiar de Montenegro, Cavaco Silva garante que procurou “avaliar objetivamente os comportamentos e atitudes dos diferentes líderes partidários da oposição”, mas que não encontrou “em nenhum deles qualquer superioridade em relação ao atual Primeiro-Ministro na dimensão ética e moral na vida política.”
Cavaco Silva acusa os “partidos da oposição” e “alguma comunicação social” de moverem uma “campanha de suspeições e insinuações” contra a pessoa do primeiro-ministro, naquilo que chama de “campanha mais confusa e desinformativa do que esclarecedora – e, em boa parte, centrada na devassa da sua vida privada”. Sobre as notícias, o antigo Presidente da República tirou um conclusão: “Não inferi que Luís Montenegro tenha violado quaisquer princípios éticos ou cometido ilegalidades.”
O antigo Presidente da República admite que “Luís Montenegro cometeu inicialmente um erro de avaliação naquilo que, em tempos de fortíssima concorrência entre os meios de comunicação social”. Cavaco Silva defende que “alguns destes exigem conhecer e divulgar sobre a vida pessoal dos agentes políticos.” No entanto, considera que o primeiro-ministro emendou a mão: “Foi um erro que, depois, corrigiu de maneira superlativa, como prova da sua boa-fé.”
Cavaco Silva reitera ainda que Montenegro não tinha outra “alternativa” que não fosse “confrontar a Assembleia da República com uma moção de confiança” e coloca o ónus da queda do Governo na oposição: “Foi a rejeição pela oposição dessa moção que implicou a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas.” Lembra ainda que ele próprio, em junho de 1986, quando era primeiro-ministro, também apresentou uma moção de confiança, mas nessa ocasião “foi aprovada”. A ideia de Cavaco Silva é mostrar que a oposição da altura “evitou a realização de eleições antecipadas”, embora mais tarde esse mesmo Governo caísse por meio de uma moção de censura. Em entrevista ao Observador em julho de 2024, Cavaco Silva já tinha relembrado este episódio, dizendo que foi “decisão muito arriscada” e que não a aconselhava a outro Governo.
Cavaco vê em Montenegro qualidades técnicas que não vê nos outros
No artigo que escreve no Observador, ainda antes de abordar com detalhe a avaliação ética de Montenegro (e dos concorrentes), Cavaco Silva elege como primeiro critério a competência política e técnica do primeiro-ministro.
Cavaco Silva diz que da “observação” que fez do Governo nos últimos 11 meses, “o atual Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, revelou ser possuidor de boas qualidades nas principais questões técnicas dos diferentes ministérios, na liderança do Governo e na defesa dos interesses nacionais na União Europeia, qualidades que não vislumbro nem antecipo nos outros líderes partidários.”
O terceiro critério referido por Cavaco Silva está relacionado com as propostas políticas da AD em comparação com os demais partidos. O antigo Presidente da República diz que os programas dos partidos acabam por ser “meras atualizações dos programas com que concorreram às eleições que tiveram lugar há pouco mais de um ano”: Ora, por isso, as políticas que defenderam nesta legislatura “são um bom indicador das políticas que irão defender na próxima legislatura.”
Olhando para todos os programas, Cavaco Silva considera que “as linhas de orientação das políticas defendidas pela ‘AD–Coligação PSD/CDS’ são mais adequadas ao desenvolvimento do país, à melhoria do bem-estar das famílias e a um futuro mais promissor para os jovens do que as propostas das outras formações partidárias. ”
Cavaco Silva diz ainda que apesar dos obstáculos criados pela oposição e da “óbvia incompetência técnica demonstrada por alguns deles”, o executivo presidido por Luís Montenegro “atuou, nos seus onze meses de vida, de modo a aumentar o poder de compra de salários e pensões, defendeu o emprego e a estabilidade financeira”. Avaliando todos estes critérios, Cavaco Silva acaba por concluir que “só a “AD – Coligação PSD/CDS” tem possibilidades de gerar um governo que garanta a estabilidade política de que o país tanto necessita.”