Não é a figura mais conhecida do mundo católico, mas foi o homem que anunciou o nome do novo Papa — Leão XIV, Robert Prevost —, responsável por liderar a Igreja Católica no pós-Francisco. De Marrocos, onde nasceu, até ao Vaticano, onde hoje, aos 73 anos, é cardeal protodiácono, foi um longo caminho marcado pelas missões diplomáticas.

Filho de franceses, Dominique Mamberti nasceu em Marraquexe, a 7 de março de 1952, e regressou à terra natal dos pais pouco depois do seu nascimento. Foi no continente europeu que começou os estudos: concluído o ensino secundário, inscreveu-se na Faculdade de Direito de Estrasburgo e frequentou pós-graduações na Universidade de Paris II, com diplomas de direito público e de ciências políticas.

Depois do longo percurso de graduação, começou o caminho eclesiástico que o levaria à varanda da Basílica de São Pedro. Entrou no Seminário Pontifício Francês de Roma e foi ordenado sacerdote para a diocese de Ajaccio (Córsega) a 20 de setembro de 1981.

A vontade de estudar não diminuiu e inscreveu-se nos cursos da Pontifícia Academia Eclesiástica, tendo prosseguido a sua formação na Pontifícia Universidade Gregoriana (local onde tinha sido aluno de Filosofia e Teologia). O caminho eclesiástico de Mamberti cruzou-se novamente com o Direito, área que já tinha estudado, e concluiu a licenciatura em Direito Canónico.

A ascensão rápida trilhada entre a fé e os livros levou-o, apenas cinco anos depois de ter sido ordenado, para o serviço diplomático da Santa Sé, em março de 1986. Às ordens do Vaticano regressou ao norte de África, de onde tinha saído com pouco tempo de vida.

Foi na Argélia que iniciou uma nova fase que iria marcar, pelo menos, a década seguinte da sua vida: entrou para o serviço diplomático da Santa Sé a 1 de março de 1986 e serviu nas Representações Papais na Argélia (1986-1990), no Chile (1990-1993), nas Nações Unidas em Nova Iorque (1993-1996), no Líbano (1996-1999) e na Secretaria de Estado, na Secção das Relações com os Estados (1999-2002).

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Em 2002, foi chamado por João Paulo II para regressar a França, tendo sido eleito arcebispo titular de Sagona, na ilha de Córsega, e, em simultâneo, núncio apostólico no Sudão e delegado apostólico na Somália, mantendo, assim, relação com as comunidades católicas em regiões mais periféricas e mais afastadas do Vaticano.

“No dia 3 de julho recebeu a ordenação episcopal na Basílica de São Pedro, pelas mãos do Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado”, descreve a Santa Sé. Dois anos antes de ser chamado para o Vaticano por Bento XVI, em 2006, ainda foi nomeado Núncio Apostólico na Eritreia.

O antecessor de Francisco quis tê-lo como Secretário para as Relações com os Estados, papel que o argentino quis que mantivesse após a sua eleição como Papa.

Mesmo no Vaticano, era clara a vocação de Mamberti para a diplomacia, tendo o franco-marroquino chefiado as delegações da Santa Sé em “numerosas reuniões e conferências internacionais”, nomeadamente na Assembleia Geral das Nações Unidas e nos Conselhos Ministeriais da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa.

Mamberti foi responsável por assinar vários acordos multilaterais ou bilaterais em nome da Santa Sé, que destaca o acordo com Cabo Verde sobre o estatuto jurídico da Igreja Católica no país de língua portuguesa e o e o acordo com a República da Sérvia sobre a cooperação ensino superior.

Em novembro de 2014 foi nomeado Prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, “assegurando a continuidade do serviço na Secção para as Relações com os Estados até meados de janeiro de 2015”.

Há menos de 10 anos, foi nomeado presidente da Comissão dos Advogados e nomeado cardeal por Francisco em fevereiro de 2015.

Numa entrevista, em 2013, condenou o secularismo da Igreja e defendeu a importância da proteger a liberdade religiosa, os direitos humanos e as liberdades fundamentais. Anos antes, num encontro com os bispos do Uganda, mostrou-se contra a pena de morte para cidadãos homossexuais: defendia que devia ser um caso da “esfera moral” e não “penal”, segundo o L’Espresso. As declarações não foram comentadas pelo Vaticano.