A manhã acabou com fumo negro. Ainda não eram onze horas quando os milhares de pessoas que aguardavam notícias do conclave fechado dentro da Capela Sistina perceberam que ainda não tinham Papa. Três votações tinham decorrido sem se alcançar um nome: uma na quarta-feira à tarde, duas nesta quinta-feira de manhã. A multidão foi almoçar com a esperança de que as previsões de Giovanni Battista Re se cumprissem. O cardeal decano do Vaticano tinha dito de manhã, em Pompeia, esperar que à noite, quando regressasse a Roma, já houvesse Papa.
E assim foi. Passavam poucos minutos das 17h em Lisboa (18h em Roma), quando os olhos fixos na chaminé (e numa família de gaivotas que escolheu aquele telhado como poiso) viram o fumo branco espalhar-se pelo céu. A mole humana reagiu em palmas e algum tempo depois a euforia encheu a praça de S. Pedro quando foi anunciado o novo Papa, Robert Prevost, o primeiro norte-americano a assumir a liderança da Igreja Católica. O entusiasmo subiu de tom quando a multidão ouviu o nome escolhido: Leão XIV.
Na varanda da Basílica de S. Pedro, antes de proferir as primeiras palavras, Robert Prevost pisca os olhos, engole em seco, a controlar a emoção. E depois leva novamente ao rubro os milhares de fiéis (e turistas) que preenchem por completo a praça quando começa o discurso com “a Paz esteja convosco”.
Culminavam assim 24h30 de expectativa e espera, em que 133 cardeais, fechados na Capela Sistina, e sem contacto com o mundo exterior, escolheram um membro da Ordem de Santo Agostinho para sucessor de Francisco, de quem era próximo. Não admira que tenha criado nova onda de entusiasmo quando o mencionou: “Obrigado Francisco”.
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