A agência de rating Morningstar DBRS, uma das quatro reconhecidas pelo BCE, receia que o próximo Governo não cumpra a legislatura na íntegra – lembrando que os próximos anos irão ser marcados por “um contexto externo mais complexo e incerto” e pela necessidade de aumentar os gastos com defesa.
“O próximo Governo irá enfrentará desafios maiores, especialmente na frente externa, e poderá não durar [os quatro anos da legislatura] porque continua a existir um parlamento fragmentado“, escreve a agência em nota divulgada nesta segunda-feira para informar os clientes da agência de que “embora os resultados deem mais força à AD para o novo período legislativo, o próximo Governo ainda precisará de ter o apoio ou a abstenção de terceiros para governar e legislar –portanto, a estabilidade do Governo pode enfrentar desafios e levar a eleições antecipadas em algum momento“.
No entanto, afirma a agência de rating, cujo trabalho consiste na avaliação do risco de crédito dos emitentes de dívida, a expectativa é de que “o próximo Governo mantenha o seu compromisso com políticas orçamentais prudentes e com uma redução adicional do peso da dívida portuguesa”.
“Na nossa opinião, a implementação das prioridades políticas e o aumento das despesas com a defesa seguirão provavelmente uma abordagem gradual que tenha em conta o espaço orçamental disponível a cada ano”, afirma Javier Rouillet, vice-presidente sénior da Morningstar DBRS.