A época acabou este domingo e até acabou com uma espécie de penso rápido, mas nem por isso o Manchester United demorou a arrancar o novo capítulo. Três saídas estão confirmadas, o discurso final de Ruben Amorim marca um corte absoluto com o passado e toda a comitiva já partiu rumo a uma tour pós-temporada. Tudo, porém, com muita polémica à mistura.

Entre a noite deste domingo e a manhã desta segunda-feira, o Manchester United anunciou as saídas de Jonny Evans, Christian Eriksen e Victor Lindelöf. O central norte-irlandês, o médio norueguês e o central sueco não fazem parte das contas de Ruben Amorim para a próxima temporada e estão agora livres para procurar novo clube no mercado de verão, sendo que todos jogaram contra o Aston Villa na última jornada da Premier League e puderam despedir-se de Old Trafford.

Amorim só queria que a temporada acabasse, mas fechou as contas com estilo: United vence Aston Villa na última jornada

Assim, ainda com Evans mas já sem Eriksen e Lindelöf, o Manchester United já partiu para uma rara tour pós-temporada pela Ásia. Os red devils vão passar pela Malásia e por Hong Kong e disputar um jogo em cada território, a 28 e 30 de maio, antes de os jogadores cumprirem oficialmente um curto período de férias. Dentro da comitiva liderada por Ruben Amorim estão André Onana e Joshua Zirkzee, que não foram incluídos na última convocatória, e ainda Alejandro Garnacho, que também não foi convocado este fim de semana e a quem o treinador português já terá dito para procurar novo clube.

Os dois jogos na Ásia antes das férias têm sido muito criticados por vozes de dentro e de fora do Manchester United, com Ruben Amorim a defender a tour como “um pequeno sacrifício para estabelecer contacto com os adeptos pelo mundo inteiro” e Harry Maguire a recordar o necessário impacto financeiro que os compromissos significam. Alan Shearer destacou a decisão como “loucura”, o antigo guarda-redes Paul Robinson garantiu que “nenhum jogador quer ir” e Michael Brown, antigo central do Manchester City, também deixou opiniões fortes.

“No final da temporada dás uma volta ao relvado e tens aquela sensação de ‘acabou, está feito’. Queres ir para casa pôr as pernas para cima e ter um descanso mental antes dos jogos das seleções. Ficas ansioso pelas férias. Eu percebo o porquê de o fazerem, financeiramente, mas não devia ser permitido. Os jogadores são contratualmente obrigados a ir devido aos compromissos comerciais”, disse em declarações à BBC Radio 5.

Ainda ontem, no relvado de Old Trafford e depois da vitória contra o Aston Villa que carimbou o 15.º lugar na Premier League na mesma semana em que perdeu a final da Liga Europa, Ruben Amorim dirigiu-se diretamente aos adeptos e deixou palavras de esperança. De microfone em punho, com os filhos agarrados às pernas, não inventou desculpas, mas também não recorreu ao fatalismo de outros dias.

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“Eu sei que estão muito desapontados comigo e com a equipa. Mas quero agradecer aos adeptos por terem estado sempre do nosso lado. Eu sei que foi muito difícil ver o United perder tantos jogos. Mas agora é tempo de avançar. Ou continuamos presos ao passado, porque esta época tem de ficar no passado, ou então lutamos todos juntos e seguimos em frente. Há seis meses, no fim dos meus primeiros três jogos, duas vitórias e um empate, disse que a tempestade estava a caminho. Depois desta tempestade desastrosa, quero dizer-vos que os tempos bons estão para chegar. Se algum clube pode ultrapassar esta situação é o Manchester United, porque já o fez no passado. Quero ainda pedir desculpa aos meus jogadores, porque sei que muitas vezes não fui justo convosco”, disse o treinador português, que foi muito aplaudido pelas bancadas.

Certo é que, com a temporada a terminar, o Manchester United já está oficialmente a preparar a próxima. De acordo com Fabrizio Romano, o jornalista italiano especializado no mercado de transferências, os red devils já garantiram a contratação de Matheus Cunha, avançado brasileiro do Wolverhampton que vai custar 74 milhões de euros.