Não é caso único, mas também não é um caso assim tão comum. Numa única temporada, Antony foi de jogador desacreditado no Manchester United a referência do Betis, tornando-se um dos principais ativos do clube espanhol que esta quarta-feira defronta o Chelsea na final da Liga Conferência. Para lá chegar, porém, o avançado brasileiro não teve de atravessar um caminho fácil. 

Aos 25 anos, Antony está emprestado ao Betis pelo Manchester United desde janeiro, tendo somado nove golos e seis assistências em 25 jogos pelos espanhóis — sendo que, na primeira metade da temporada, levava um golo e nenhuma assistência em 14 jogos pelos ingleses. Em Wrocław, na Polónia, o brasileiro será uma das principais armas de Manuel Pellegrini na primeira final europeia da história dos espanhóis.

“Dizia que me ia matar, que se ia matar.” Antony está a ser acusado de violência doméstica e já foi dispensado da seleção brasileira

Ora, na antecâmara do jogo mais importante da temporada, o avançado deu uma longa entrevista a TNT Sports Brasil onde recordou os tempos mais difíceis que passou no Manchester United — incluindo a acusação de violência doméstica por parte da ex-namorada, que acabou arquivada e sem acusação, mas que chegou a deixá-lo suspenso internamente por parte dos red devils.

“Foi um momento complicado, seres acusado de uma coisa que não fizeste. Estão aí as provas. Pensei em parar de jogar. Não sentia vontade de jogar futebol. Precisava de me encontrar e de voltar a ser feliz, porque jogar futebol é algo que sempre adorei. Passei um período muito difícil no United e não conseguia encontrar esse prazer. Disse ao meu irmão que não conseguia mais e ele pediu-me para aguentar mais um pouco, disse que as coisas iam mudar. Foi muito difícil para mim, só eu sei o que passei”, explicou Antony, que se emocionou várias vezes ao longo da entrevista.

O “lado físico” ou “contexto e a forma como era orientado”? O apagão de Antony em Old Trafford tem duas versões diferentes

Mais à frente, o avançado que também já passou pelo Ajax revelou que chegou a ter dificuldades para sair de casa. “A única coisa que eu queria era estar em casa. Nem sequer tinha forças para brincar com o meu filho. Passava dias sem comer e fechado no quarto. Foi muito complicado, mas graças a Deus, com a ajuda da minha família agora estou muito feliz aqui”, acrescentou, antes de detalhar as melhorias que sentiu ao mudar-se para o Betis.

“Vir para o Betis mudou tudo porque precisava de me encontrar depois de tudo o que aconteceu na minha vida pessoal. Como já disse, estava a tentar fazer coisas, mas nada saía porque não estava feliz”, atirou, mostrando-se entusiasmado pela final desta quarta-feira. “É a primeira vez que o Betis está a disputar uma final europeia. Estou preparado. Um pouco ansioso, mas preparado para fazer uma grande final”, terminou o avançado, que tem contrato com o Manchester United e vai voltar a Inglaterra no verão.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]