André Ventura é o novo líder da oposição, depois de fechada a contagem de votos dos círculos da emigração. O Chega e a AD dividiram entre si os quatro mandatos em disputa: um deputado para cada um no círculo da Europa e o mesmo no círculo fora da Europa. O PS deixou de ter representação pela emigração pela primeira vez, é a terceira força no Parlamento e ficou com o Chega a uma curta distância nos resultados globais: apenas 4.313 votos os separaram.

Foi por muito pouco que o PS agarrou o lugar de segunda maior força política nacional, uma posição de pouco consolo tendo em conta a confirmação do terceiro lugar no Parlamento e a margem estreita a que o Chega agora fica, nos tais resultados gerais. Em deputados, a AD conseguiu chegar aos 91, o Chega aos 60 e o PS ficou com os mesmos 58 que tinha antes da contagem final. Já em votos, a AD arrecadou 31,21%, o PS 22,83% e o Chega 22,76%.

A contagem ainda não estava oficialmente fechado e o presidente dos socialistas e líder interino, Carlos César, rapidamente escreveu nas redes sociais que “o PS, afinal, é o segundo maior partido no país em número de votos”, reclamando essa posição em relação ao número de votos. É uma forma de olhar para o copo meio cheio. É certo que este não foi o pior resultado do PS em legislativas — teve menos votos nas de 1985, sob a liderança de Almeida Santos e nas de 1987, com o líder Vítor Constância — no entanto, esta é a primeira vez que o partido fica como o terceiro grupo parlamentar na Assembleia da República.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]

O próprio Carlos César tinha sido o primeiro a assumir a derrota do PS, também nas redes sociais, ao escrever ao início da tarde que “tal como se esperava”, o PS passaria a terceira força política no Parlamento. Na mesma mensagem aproveitou ainda para escrever para o próximo secretário-geral do PS — e neste momento o único candidato é José Luís Carneiro — avisando que, “com uma nova liderança eleita, só pode haver um caminho no PS: unidos, a remar para o mesmo lado e valorizando os melhores para estarem connosco nas eleições autárquicas.” Só depois é que haverá “tempo para refletir e para corrigir percursos e voltar a merecer uma confiança reforçada dos portugueses”.

Na última legislatura, os socialistas só tinham eleito um deputado pela emigração, pelo círculo fora da Europa, que foi Paulo Pisco. O socialista foi deputado por este círculo durante 18 anos (não consecutivos), mas desta vez Pedro Nuno Santos tinha entendido mudar a estratégia e apostou em Emília Ribeiro como cabeça de lista. A opção foi criticada internamente e Pisco já tinha feito avisado, à TSF, “temer o pior” para o PS na emigração. Na reunião da Comissão Nacional do PS tinha dito que “o partido falhou o compromisso de desenvolver uma relação com as comunidades, com as secções e com os militantes” no mandato que agora termina.

Já a AD foi a única força política que saiu melhor do que há um ano na contagem dos círculos da emigração, ainda que isso não tivesse sido suficiente para ultrapassar o Chega que continua a liderar a votação dos emigrantes. Luís Montenegro foi buscar mais um deputado nesta contagem do que há um ano, altura em que o PS tinha conseguido um dos mandatos (pelo círculo fora da Europa).

De resto, a distribuição de lugares na Assembleia da República não mexeu mais: a IL ficou com nove deputados (mais um do que em 2024), o Livre com seis (mais dois mandatos), o PCP com três (menos um), o Bloco, o PAN e o Juntos pelo Povo com um cada (precisavam de dois para serem grupos parlamentares).

Veja aqui os resultados finais nos vários círculos:

Círculo da Europa

Alemanha

  • AD: 19,60 % (4.410 votos)
  • PS: 18,90 % (4.252 votos)
  • Chega: 18,80 % (4.229 votos)
  • Livre: 3,78 % (851 votos)
  • IL: 3,22 % (724 votos)
  • BE: 3,13 % (703 votos)
  • PAN: 1,87 % (421 votos)
  • CDU: 1,25 % (281 votos)
  • Outros: 2,18%

Bélgica

  • AD: 16,07 % (1.055 votos)
  • PS: 15,11 % (992 votos)
  • Livre: 6,40 %, (420 votos)

  • IL: 4,94 %, (324 votos)

  • BE: 3,32 % (218 votos)

  • PAN: 2,30 %, (151 votos)

  • PCP: 1,87 % (123 votos)

  • Outros: 2,08

França

  • Chega: 28,85 % (27.369 votos)
  • PS: 14,41 % (13.666 votos)
  • AD: 12,81 % (12.152 votos)
  • PAN: 1,48 % (1.400 votos)
  • BE: 1,17 % (1.110 votos)

  • Livre: 0,67 % (638 votos)

  • IL: 0,67 % (636 votos)

  • CDU: 0,56 % (535 votos)

  • Outros: 2,28 %

Luxemburgo

  • Chega: 31,27 % (4.133 votos)

  • AD: 17,80 % (2.353 votos)

  • PS: 11,71 % (1.548 votos)

  • IL: 2,23 % (295 votos)

  • PAN: 1,17 % (154 votos)

  • Livre: 1,10 % (145 votos)

  • BE: 0,99 % (131 votos)

  • CDU: 0,73 % (97 votos)

  • Outros: 1,56%

Suíça

  • Chega: 45,72 % (24.533 votos)

  • AD: 13,67 % (7.333 votos)

  • PS: 8,69 % (4.664 votos)

  • IL: 2,40 % (1.286 votos)

  • BE: 1,28 % (686 votos)

  • Livre: 1,13 % (607 votos)

  • PAN: 0,94 % (506 votos)

  • CDU: 0,73 % (392 votos)

  • Outros: 1,87%

Reino Unido

  • Chega: 16,00% (6.290 votos)
  • PS: 13,21 % (5.193 votos)
  • AD: 13,07 % (5.138 votos)
  • Livre: 3,09 % (1.213 votos)
  • IL: 2,93% (1.150 votos)
  • BE: 2,27 % (893 votos)
  • PAN: 2,05 % (805 votos)
  • CDU: 0,97 % (383 votos)
  • Outros: 3,24%

Países Baixos

  • AD: 18,65% (1.054 votos)
  • Chega: 17,24% (974 votos)
  • PS: 13,77% (778 votos)
  • IL: 11,10% (627 votos)
  • Livre: 10,71% (605 votos)
  • BE: 4,5% (254 votos)
  • Outros: 7,15%

Círculo Fora da Europa

Estados Unidos da América

  • AD: 21,62 % (2.511 votos)

  • Chega: 17,08 % (1.984 votos)

  • PS: 10,96 % (1.273 votos)

  • IL: 2,00 % (232 votos)

  • Livre: 1,27 % (148 votos)

  • BE: 1,17 % (136 votos)

  • ADN: 0,77 % (90 votos)

  • Outros: 2,09%

Países de África

  • AD: 31,90% (1.143 votos)
  • Chega: 20,35% (729 votos)
  • PS: 16,24% (582 votos)
  • IL: 3,63% (130 votos)
  • Livre; 1,54% (55 votos)
  • BE: 1,42% (51 votos)
  • ADN: 1,20% (43 votos)
  • PCP-PEV (0,81% (29 votos)
  • Outros: 1,87%

Canadá

  • AD: 19,80% (3.123 votos)
  • Chega: 17,23% (2.717 votos)
  • PS: 11,78% (1.858 votos)
  • IL: 0,83% (131 votos)
  • BE: 0,78% (123 votos)
  • ADN: 0,74% (117 votos)
  • Outros: 2,15%

China

  • AD: 33,36% (1923 votos)
  • PS: 21,21% (1223 votos)
  • Chega: 6,85% (395 votos)
  • PAN: 2,62% (151 votos)
  • IL: 2,31% (133 votos)
  • Livre: 2,03% (117 votos)
  • ADN: 1,08% (62 votos)
  • Outros: 5,99%