Se tudo corresse como planeado, Scott Jenkins, o antigo xerife do condado norte-americano de Culpeper, na Virgínia, ia começar a cumprir uma pena federal de 10 anos de prisão esta terça-feira por aceitar subornos para distribuir cargos. Porém, tudo mudou quando Donald Trump anunciou que iria indultar Jenkins um dia antes de começar a pena, alegando que ele tinha sido condenado injustamente por um “juiz de [Joe] Biden”.
Jenkins, segundo a procuradoria federal, tinha montado um esquema de “dinheiro por crachás” dentro do seu departamento, aceitando pelo menos oito subornos — dois deles de agentes do FBI à paisana — para nomear empresários da sua região como adjuntos, permitindo-lhes não pagar multas de trânsito, o acesso a distintivos de xerife, e a possibilidade de andarem com armas escondidas sem licença. Ao todo, o dinheiro que recebeu atingiu um valor de cerca de 66 mil euros.
“Scott Jenkins violou o seu juramento de posse e a confiança que os cidadãos do condado de Culpeper depositaram nele”, disse então o procurador Zachary T. Lee. Após o julgamento, foi condenado em março deste ano por um júri por sete crimes de suborno, quatro crimes de abuso de poder e um crime de conspiração.
Depois de receber a sentença, o antigo polícia pediu diretamente à administração Trump que o Presidente interviesse no seu caso. Num seminário citado pela NBC4 Washington disse acreditar “sinceramente” no Presidente e que “ele iria ajudar se soubesse” a sua “história”.
“O xerife Scott Jenkins, a sua mulher Patricia e a sua família foram arrastados para o inferno por um Departamento da Justiça corrupto e usado como arma por Biden“, acusou o Presidente dos EUA numa publicação na rede social Truth Social em que anunciou o “perdão total e incondicional” do polícia.
Para Trump, Scott Jenkins foi “vítima” de uma justiça “excessivamente zelosa” de “juízes da esquerda radical ou liberais” que o seu antecessor terá nomeado, pelo que o antigo xerife não merece “passar um dia na prisão”, acrescentou.
“É uma pessoa maravilhosa que foi perseguida pelos ‘monstros’ da esquerda radical e ‘deixada para morrer'”, disse ainda o líder na publicação.
O perdão do xerife é o último numa série de indultos emitidos por Donald Trump que começou logo no dia em que tomou posse, a 20 de janeiro. Nesse dia, o Presidente indultou todos os que estavam envolvidos no ataque ao Capitólio no dia 6 de janeiro de 2021 — um perdão aplicável a mais de 1,500 pessoas que invadiram a sede das câmaras parlamentares dos Estados Unidos.
Desde então, Trump já emitiu 40 perdões presidenciais e quatro reduções de pena a várias personalidades, incluindo o CEO do site de comércio ilegal Silk Road, Ross Ulbricht, e o antigo governador do estado do Illinois, Rod Blagojevic.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]