A Marinha norte-americana quer apagar os nomes de ativistas pelos direitos civis dos navios da sua frota, noticia a CBS News. O primeiro barco a ser renomeado, de acordo com o documento militar obtido pela televisão, é o USNS Harvey Milk, ativista e primeiro político LGBTQI+ a ser eleito nos EUA.

Para além do USNS Harvey Milk, estão na lista de espera os navios com os nomes da ativista abolicionista da escravatura Harriet Tubman, dos juízes progressistas do Supremo Tribunal Ruth Bader Ginsburg e Thurgood Marshall, dos sindicalistas e ativistas Dolores Huerta e Cesar Chavez, da sufragista Lucy Stone e do ativista anti-segregação Medgar Evers.

O documento dá como principal justificação para tal decisão o realinhamento com a prioridade definida por Pete Hegseth dias após tomar posse como Secretário da Defesa: “restabelecer a cultura guerreira” nas forças norte-americanas. E é também a mais recente iniciativa da administração Trump para eliminar tudo o que contenha referências à diversidade, equidade e inclusão.

Milk fez parte da marinha norte-americana, na qual serviu durante a guerra da Coreia nos anos 50, até ser dispensado por praticar um “ato homossexual”. Em 1977, foi eleito autarca na cidade de São Francisco. O seu mandato durou poucos meses, tendo sido assassinado no edifício da Câmara Municipal em novembro de 1978.

Em 2021, o navio foi batizado com o nome de Harvey Milk, com o objetivo de “dar inspiração a todos os nossos líderes da comunidade LGBTQ que serviram na Marinha em uniforme”, referiu o então secretário da Defesa, Carlos del Toro, na cerimónia de inauguração.

As transcrições dos discursos de Donald Trump desapareceram do site da Casa Branca. Ficaram só os vídeos

A congressista democrata e antiga presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, adjetivou, em declarações à CBS News, a mudança de nome como um “apagamento vergonhoso e vingativo daqueles que lutaram para derrubar barreiras para que todos pudessem perseguir o sonho americano”.

O site especializado para notícias militares Military.com, que avançou a notícia da intenção da mudança do nome, indica que a ordem foi dada pelo próprio Hegseth ao secretário para a Marinha, John Phelan. A altura da proposta e do eventual anúncio público também não será um acaso, já que coincide com o Mês do Orgulho LGBTQI+.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 3.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui e o segundo aqui.]

A eliminação de eventos que comemoram meses como o do Orgulho LGBTQI+; o da História Negra, o mês das Mulheres, ou qualquer mês que celebre outro tipo de minoria, foram declarados “mortos no Departamento de Defesa” por Hegseth em janeiro.

“A nossa unidade e objetivo são fundamentais para cumprir a missão de combate do Departamento. Os esforços para dividir a força e para colocar um grupo à frente de outro, corroem a camaradagem e ameaçam a execução da missão”, disse então o governante.

Várias páginas da Casa Branca e do governo norte-americano com referências a membros das forças armadas que tiveram papéis ativistas pelos direitos civis ou mesmo que destacassem o facto de pertencerem a minorias já tinham sido apagados ou, pelo menos, arquivados.

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Uma das páginas, reporta a televisão norte-americana, era dedicada ao reparo da quilha do USNS Thurgood Marshall e estava disponível no site do próprio Departamento de Defesa.