De acordo com a Society of Motor Manufacturers & Traders (SMMT), a associação britânica dos construtores e vendedores de veículos, em Abril, o Reino Unido fabricou apenas 59.203 veículos, um valor extremamente reduzido e que não se registava desde 1952, descontando os meses em que as fábricas estiveram encerradas durante a Covid. A associação do sector realça que a Páscoa tardia e a incerteza em torno das tarifas às exportações para os EUA também não contribuíram para um maior volume de produção.
O responsável pela SMMT Mike Hawes admite que, além do mau desempenho em Abril, “este foi o pior arranque de um ano desde 2009”, afirmando ainda que “é necessário incentivar a procura doméstica por novos veículos”. Enquanto isto, o Governo inglês reconhece a importância da indústria automóvel, na economia e criação de emprego, avançando que as negociações com os EUA e a Índia, para melhorar as condições de exportação para estes países, devem produzir resultados em breve.
A Bentley, o mais desportivo dos construtores de luxo, é um dos fabricantes ingleses que tem conseguido manter o volume de produção
Promessas à parte, a produção de veículos baixou 15,8% face ao mês homólogo de 2024. Mas as más notícias não ficam por aqui, uma vez que a fabricação de veículos de passageiros caiu somente 8,6%, tendo os veículos comerciais sido responsáveis por uma redução de 68,6%, o que constitui um indicador de uma menor actividade económica.
Os analistas do sector chamam a atenção para o facto de as tarifas norte-americanas não justificarem a quebra na produção (por redução das vendas), uma vez que as exportações para os EUA diminuíram apenas 2,7%, muito aquém dos -15,8% na produção. Já o mesmo não aconteceu com as exportações para a China, que viram diminuir o número de unidades em 44%, praticamente em linha com o que aconteceu com as exportações para este país a partir da Alemanha.
A McLaren é o representante britânico na batalha com os italianos da Ferrari e Lamborghini
A explicação mais evidente para este desaire deve ser encontrada junto do Brexit, que retirou o Reino Unido da União Europeia (UE). Isto levou a que vários construtores encerrassem as suas fábricas em Inglaterra, ou diminuíssem consideravelmente a sua produção, na medida em que se tornou menos interessante fiscalmente exportar veículos do Reino Unido para a UE.