Israel atacou o Irão na madrugada desta sexta-feira, atingindo uma central nuclear, vários alvos militares e edifícios residenciais em Teerão. Cerca de 78 pessoas morreram e pelo menos três líderes militares morreram, incluindo o Chefe do Estado-Maior, Mohammad Bagheri. Teerão retaliou sobre Israel, com as Forças de Defesa Israelitas (IDF) a confirmarem que a Força Aérea intercetou cerca de 100 drones. Ao final da tarde desta sexta-feira, as tropas iranianas voltaram a retaliar contra Israel, desta vez com cerca de 100 mísseis balísticos. Telavive garantiu que intercetou quase todos, mas houve alguns que afetaram edifícios.

Veja tudo o que se sabe até ao momento.

O ataque desta sexta-feira

  • Israel lançou vários ataques aéreos contra território iraniano, na operação militar iniciada esta sexta-feira de madrugada, Lion Rising.
  • Israel atacou vários pontos da capital iraniana, Teerão, assim como infraestruturas militares e nucleares. De acordo com o New York Times, terão sido atingidas a central nuclear de Isfahan, a base militar de Parchin e outras dezenas de alvos militares, bem como edifícios residenciais em Teerão.
  • Os media iranianos avançaram com números de vítimas dos ataques às zonas residenciais de Teerão. Morreram 78 pessoas e 329 estarão feridas.
  • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, justificou os ataques pelo “perigo” que o programa nuclear iraniano pode representar. O chefe do executivo fala num “momento decisivo da história de Israel”.
  • O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, justificou o ataque israelita sobre o Irão com alegadas informações das secretas que dariam conta de “planos” para “destruir Israel”. Em entrevista à Fox News, Danon assegurou que Israel “recolheu informações de que eles [Irão] estão a avançar” através de armamento nuclear e de mísseis, a fim de “iniciar outro ataque como o 7 de Outubro”.
  • Os Estados Unidos confirmaram que não apoiaram Israel na ofensiva contra o Irão e asseguram que é uma operação a solo israelita. O Presidente Donald Trump disse entretanto que Teerão pode travar os ataques se chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear, altamente a ser negociado com os EUA. “Façam-no, antes que seja tarde demais”, escreveu na Truth Social.
  • O Irão confirmou que existem várias baixas resultante dos ataques. O comandante-chefe da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Salami, morreu, tal como dois cientistas na área nuclear. O Chefe do Estado-Maior, Mohammad Bagheri, também foi morto. O cargo que ocupava representava o topo da liderança militar do país, com o seu responsável a controlar o Exército e a Guarda Revolucionária do país. Na prática, detinha o cargo mais importante a seguir ao Líder Supremo, o ayatollah Khamenei. O Irão nomeou entretanto um substituto interino.
  • A Mossad [serviços de informações externas de Israel] terá instalado uma base de drones com explosivos em Teerão, avança uma fonte ao Haaretz. A base terá sido montada de forma secreta, depois de os materiais terem sido transportados previamente para o Irão, numa operação secreta.
  • Israel convocou todos os militares na reserva para “defesa e ofensiva em todas as frentes” e encerrou as embaixadas em todo o mundo.

Ataques de Israel continuam na manhã de sábado. Irão está a retaliar

  • As Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês) estão a estimar atualmente que os ataques israelitas contra o programa nuclear do Irão vão durar vários dias. A agência de notícias Tasnim avançou entretanto que estarão neste a acontecer novos ataques ao Irão, na cidade de Tabriz, no norte do país.
  • As IDF confirmaram que continuam a atacar território iraniano, com relatos de outras cidades, como Shiraz, a serem atingidas. “Temos de nos preparar para uma operação demorada”, avisou o brigadeiro-general Effie Defrin. “Vamos continuar a agir até que os objetivos da operação sejam atingidos.”
  • O Irão estará a retaliar contra Israel. A Jordânia já confirmo que intercetou drones e mísseis iranianos no seu território.
  • Um porta-voz do exército israelita disse à Reuters que tudo estava a ser feito para intercetar o ataque sobre Israel, que terá sido de 100 drones.
  • As IDF anunciaram ter intercetado drones na fronteira de Israel com a Síria, tendo todos sido abatidos.
  • Ao final da noite desta sexta-feira, o Irão lançou cerca de cem mísseis balísticos contra território israelita. Na sequência, ficaram feridas mais de 40 pessoas, uma das quais em estado grave.

A reação de Teerão à “agressão cruel”

  • O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, pronunciou-se sobre os ataques israelitas, pedindo “unidade” à população contra uma “agressão cruel”. “A resposta legítima e resoluta do Irão vai fazer o inimigo arrepender-se desta ação tola”, acrescentou.
  • O Irão pediu entretanto uma reunião de emergência ao Conselho de Segurança da ONU.
  • Uma fonte diplomática avançou ao Haaretz que Israel tenciona encerrar as suas embaixadas em todo o mundo. As embaixadas em Copenhaga e Berlim já confirmaram que estão de portas fechadas e que não haverá serviço consular.

Líderes mundiais pedem “contenção”

  • Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês confessou estar “profundamente preocupado” com estes ataques. Lin Jian afirmou ainda considerar que o ataque é uma “violação” à soberania iraniana.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Jean-Noël Barrot, reagiu pedindo “contenção” a ambas as partes e afirmando que os canais diplomáticos devem ser ativados. Contudo, Barrot frisou que Israel tem direito a defender-se e que o programa nuclear iraniano tem sido uma preocupação.
  • O chanceler alemão, Friedrich Merz, já reagiu aos ataques desta madrugada, adiantando que foi informado pelo primeiro-ministro israelita esta manhã. Merz considera que Israel tem direito “a defender a sua existência” e que o Irão não pode desenvolver uma bomba nuclear. Pediu ainda contenção às duas partes.
  • O Presidente francês, Emmanuel Macron, pronunciou-se no X sobre a atual situação. “A França condenou repetidamente o programa iraniano em andamento e tomou todas as medidas diplomáticas para esse fim”, começou por dizer. “Neste contexto, a França reafirma o direito de Israel de se proteger e garantir sua segurança.” Macron deixou ainda um apelo a ambos os lados “para que exerçam a máxima contenção e diminuam a tensão”.
  • A presidente da Comissão Europeia já reagiu à notícia dos ataques, falando numa situação “profundamente alarmante”. No X, Ursula von der Leyen pediu a ambas as partes “máxima contenção, descida imediata da escalada e que se abstenham de retaliar”.
  • O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reagiu às notícias do ataque. “A Rússia está preocupada e condenada a escalada da brusca das tensões”, afirmou.
  • O presidente do Conselho Europeu também já reagiu às notícias dos ataques, afirmando que está “profundamente preocupado” com a situação no Médio Oriente. António Costa sublinhou numa publicação no X que é preciso evitar passos que conduzam a uma escalada perigosa que destabilize toda a região. ” Pediu “contenção e diplomacia.”
  • Alguns países árabes já reagiram aos ataques israelitas, condenado a ação de Telavive. O primeiro-ministro do Qatar, o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al-Tahni descreveu os ataques como “ações absurdas” que põem em causa o caminho para a paz. Já o Egito avisou que os ataques podem ter “repercussões sem precedentes” na região, enquanto os Emirados Árabes Unidos condenaram os ataques “da forma mais forte possível”, apelando ainda “à maior contenção”.
  • O Presidente da Turquia reagiu ao ataque de Israel, que classificou como uma “provocação clara” que “desrespeita o Direito Internacional”. Num post no X, Recep Tayyip Erdoğan deixou duras críticas a Israel: “A administração de Netanyahu está a tentar arrastar a nossa região e todo o mundo para o desastre com as sua ações imprudentes, agressivas e ilegais.”