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Vereadora de Cascais vai fazer queixa por racismo contra motorista da Carris Metropolitana. Terá dito à filha que "não transportava animais"

Este artigo tem mais de 1 ano

Carla Nunes Semedo, denunciou que filha, de 17 anos, “foi vítima de um ataque racista” e prometeu que não permitirá “que o preconceito se sente ao volante do que é público”.

Quase duas semanas depois de a Carris Metropolitana começar, no distrito de Lisboa, os passageiros vêm mais autocarros em alguns locais, mas lamentam os atrasos constantes das carreiras e a falta de horários fora das horas de ponta, Amadora, 12 de janeiro de 2023. ANTÓNIO COTRIM/LUSA
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ANTÓNIO COTRIM/LUSA

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A vereadora de Saúde, Assuntos Sociais e Direitos Humanos da Câmara Municipal de Cascais, Carla Nunes Semedo, disse esta segunda-feira à agência Lusa que vai apresentar queixa por racismo contra um motorista da transportadora Carris Metropolitana.

Em causa está um episódio envolvendo o motorista e a filha de Carla Nunes Semedo, ambas negras, no qual aquele terá dito à jovem que “não transportava animais”. Numa publicação feita na rede social Instagram, a vereadora e psicopedagoga divulga uma fotografia na qual aparece com a filha, de 17 anos, denunciando que esta “foi vítima de um ataque racista” e prometendo que não permitirá “que o preconceito se sente ao volante do que é público”.

Carla Nunes Semedo relata: “O condutor de autocarro achou por bem dizer-lhe que não transportava animais. Sim, em 2025. Em Portugal. Em Cascais”. E aproveita o caso para destacar: “Há um fenómeno ainda mais preocupante do que o aumento do discurso de ódio: é a sua normalização. A perda de vergonha. O à-vontadinha com que se profere o que durante anos esteve camuflado sob o véu do politicamente correto”.

Nas mensagens escritas trocadas com a Lusa, a vereadora referiu que o episódio aconteceu num autocarro da Carris Metropolitana, que assegura o serviço de transporte público rodoviário da Área Metropolitana de Lisboa. Carla Nunes Semedo já contactou a empresa, que prometeu “agir” e que lhe passou um contacto para o qual enviar a queixa por escrito, o que ainda não teve oportunidade de fazer.

“É duro escrever isto. Mas é mais duro calar. A quem ainda alimenta discursos racistas, com palavras ou com silêncios cúmplices, deixo um recado claro: nós já não somos os mesmos. Não somos mais aqueles que, por respeito ou medo, engoliam em seco o ódio disfarçado de opinião. Não somos mais os que aceitavam ofensas em nome da paz social“, escreveu a vereadora, na publicação feita no Instagram.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

Entretanto, a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e a Carris Metropolitana, repudiaram “veementemente qualquer forma de discriminação racial dirigida aos seus passageiros e reafirmam o seu compromisso com a promoção da igualdade, do respeito e da inclusão de todos”. Em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social na noite desta sexta-feira, a TML —  entidade na qual a Área Metropolitana de Lisboa delega competências na mobilidade e nos transportes adianta que solicitou “de imediato, o apuramento dos factos e o cabal esclarecimento da ocorrência”.  E esclarece que o caso envolveu um trabalhador da Viação Alvorada, “entidade prestadora de serviços” à Carris Metropolitana.

A TML diz ainda que só esta segunda-feira tomou “conhecimento da denúncia” e que instou a Viação Alvorada “a tomar as devidas providências que o caso exige”.

A mesma entida recorda também que “os motoristas ao serviço da Carris Metropolitana são trabalhadores dos operadores responsáveis pela prestação do serviço de transporte rodoviário”, no caso a Viação Alvorada, sublinhando, que “atua em articulação com o operado, intervindo, sempre que necessário em situações que envolvam os seus profissionais, com exigências de medidas que considere apropriadas perante casos de caráter urgente”.

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