Os antigos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) anunciaram esta segunda-feira a reabertura das sedes do partido, encerradas em protesto contra a liderança de Ossufo Momade, dando 20 dias para que a direção avance com o Conselho Nacional.
“Vamos dar o prazo de 20 dias para a direção do partido se posicionar e criar condições para que esse evento possa ocorrer com datas previstas. Se até daqui a 20 dias o processo não tiver pernas para andar, vamos voltar atrás”, disse Edgar da Silva, porta-voz dos desmobilizados da Renamo, em conferência de imprensa em Maputo, garantindo que esta orientação, para reabertura das sedes, será passada agora às “bases” do partido.
A Renamo chegou a anunciar anteriormente a realização do primeiro Conselho Nacional de 2025 – estatutariamente tem de organizar dois por ano – em 7 e 8 de março, que foi depois adiado, sem nova data.
Este grupo exige a sua realização e num formato “alargado aos combatentes e aos outros membros” do partido, enquanto “parte reivindicativa deste processo”.
“Queremos que um Conselho [Nacional] abrangente decida”, acrescentou o porta-voz deste grupo.
Edgar da Silva garantiu que várias delegações, distritais e provinciais, do partido permanecem encerradas em todo o país.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
A sede nacional e o gabinete de Momade também foram encerrados e ocupados por antigos guerrilheiros em protesto, entre 15 e 28 de maio, até serem retirados a tiro e gás lacrimogéneo pela Unidade de Intervenção Rápida, com mais de 50 desmobilizados a serem levados pela polícia moçambicana.
Alvo das críticas dos antigos guerrilheiros, Ossufo Momade assumiu a presidência da Renamo em janeiro de 2019, após a morte de Afonso Dhlakama (1953 -2018), e foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente.
“Nós vamos abrir mão para que as delegações sejam abertas, mas com um propósito único que é salvaguardar a preparação do Conselho Nacional da Renamo”, disse ainda Edgar da Silva.
Em causa está a crise que se vive na Renamo, conduzida atualmente por antigos guerrilheiros que exigem a demissão de Ossufo Momade por alegada “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e falta do fundo de funcionamento da formação política.
Este grupo de antigos guerrilheiros afirma que a direção do partido irá receber o ofício de abertura das delegações ainda esta segunda-feira, apesar do “braço-de-ferro” entre as partes.
Edgar Silva garante que a ideia de que Ossufo Momade deve deixar a liderança “prevalece”: “porque ele é inoperante e ele tem que deixar que alguém tome conta do partido e não é ele a pessoa indicada”.
A Renamo perdeu o estatuto da segunda força política mais votada nas eleições gerais de 9 de outubro, passando de 60 deputados, que obteve nas legislativas de 2019, para 28 parlamentares.
Momade foi candidato presidencial nas eleições gerais de 9 de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido, que foi a principal força de oposição em Moçambique desde as primeiras eleições em 1994.
Durante 16 anos, Moçambique viveu uma guerra civil, que opôs o exército governamental e a Renamo, tendo terminado com a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, em 1992, entre o então Presidente, Joaquim Chissano, e Afonso Dhlakama, líder histórico da Renamo, abrindo-se, assim, espaço para as primeiras eleições, dois anos depois.