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Pouco passava das 6h00 da manhã, quando Donald Trump recorreu às redes sociais para anunciar a entrada formal em vigor do cessar-fogo entre Israel e Irão. “ESTÁ EM VIGOR. POR FAVOR, NÃO O VIOLEM!”, escreveu em letras garrafais. Mais de duas horas depois, a imprensa israelita dava conta de sirenes a soar no norte de Israel, inclusive em Haifa, devido a uma nova salva de mísseis disparados a partir do Irão.

Poucos minutos volvidos, era confirmado por Israel que pelo menos um míssil balístico tinha sido lançado a partir do Irão contra Israel. Mesmo sendo intercetado e sem registo de danos ou de vítimas, o ataque foi entendido por Telavive uma clara violação do cessar-fogo, um par de horas após Trump anunciar que este estava em vigor e nem uma hora após Israel ter confirmado a aceitação dos seus termos.

A resposta israelita não se fez esperar, com o ministro da Defesa, Israel Katz, a dar instruções às Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) para “responderem energicamente à violação do cessar-fogo por parte do Irão com ataques intensos contra alvos do regime no coração de Teerão”, escreveu o Times of Israel.

Segundo Katz, estava em causa uma resposta “à violação flagrante por parte do Irão do cessar-fogo declarado pelo Presidente dos EUA — através do lançamento de mísseis em direção a Israel — e de acordo com a política do governo israelita de responder energicamente a qualquer violação”.

Entretanto, várias figuras políticas de Israel reagiram nas redes sociais a esta violação do cessar-fogo. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, recorreu ao X para escrever apenas “Teerão vai tremer”. Já o ministro da Defesa, Itamar Ben-Gvir ficou-se por dois emojis crípticos, mas que parecem simbolizar uma reação violenta ao ataque iraniano.

Foi o próprio gabinete de Benjamim Netanyahu a admitir que, em resposta à quebra do cessar-fogo, também Israel violou os termos acordados. O governo israelita assumiu que os seus militares “destruíram uma instalação de radar perto de Teerão” em retaliação a vários ataques anteriores com mísseis iranianos.

Antes disso, em plena madrugada, os dois países aproveitaram as últimas horas em que o cessar-fogo, apesar de já negociado, não estava em vigor, para lançar violentos ataques — Israel continuou a atacar Teerão nas horas após ter aceitado os termos do cessar-fogo e o Irão atacou Beer Sheva no sul de Israel durante a madrugada. As ações dos inimigos valeram duras críticas de Donald Trump.

“Estes tipos têm de se acalmar, é ridículo”. O puxão de orelhas de Trump

Donald Trump acusou tanto Israel quanto o Irão de violarem o cessar-fogo — mostrando especial desagradado em relação às ações de Telavive.

Em declarações aos jornalistas antes de partir para a cimeira da NATO em Haia, nos Países Baixos, o Presidente dos EUA acusou os dois países não respeitarem o acordo que ele ajudou a alcançar, tanto no período formal em que estou entrou em vigor, como de forma menos clara nas horas que o antecederam.

“Eles violaram-no, mas Israel também o violou”, reagiu, quando foi questionado sobre o lançamento de mísseis balísticos por parte do Irão.

“Estes tipos têm de se acalmar, é ridículo”, atirou. “Não sei se o fizeram de propósito, ou se não conseguiram controlar o seu pessoal”, continuou. “Eu não gostei de muitas coisas que vi ontem. Não gostei que Israel tivesse descarregado [bombas] logo após termos conseguido o acordo. Não precisavam de o ter feito”, adiantou.

“Não gostei que a retaliação [iraniana] tivesse sido forte, mas para ser franco, Israel atacou com muita força”, apontou, referindo-se aparentemente ao ataque do Irão em Beer Sheva no sul de Israel, anterior à entrada em vigor do cessar-fogo, e que provocou até ao momento quatro mortes.

“E agora ouço que Israel quer atacar porque se sentiram violados por um míssil que não atingiu ninguém”, continuou, aludindo à aparente violação do cessar-fogo por parte do Irão, já no período formal em que este vigorava.

“Não gostei que Israel tenha feito aquele ataque, de todo”, disse, afirmando que tem de “fazer com que Israel se acalme”. “Quando eu digo ‘vocês têm 12 horas’, não aproveitam a primeira hora para lançar tudo o que têm sobre eles”, queixou-se Trump.

Segundo o plano temporal deste cessar-fogo, o Irão tinha até às 5h00 (hora de Lisboa) para terminar os seus ataques, ao passo que a Israel foi dada uma maior margem, tendo de parar os seus ataques até 12 horas depois.

No entender de Trump, Israel terá aproveitado esta margem para, em vez de diminuir os ataques, intensificá-los. O presidente dos EUA sublinhou ainda que, com os ataques norte-americanos, as capacidades nucleares do Irão desapareceram e dificilmente serão reconstruídas.

Mas Trump não se ficou pelas suas declarações a censurar as ações israelitas aos jornalistas. Mesmo do avião telefonou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para o demover de realizar ataques retaliatórios.

O Times of Israel disse que o país estava inclinado a realizar pelo menos um ataque “simbólico” em resposta e que Netanyahu já não seria capaz de impedir que fosse realizado.

Não obstante, Trump voltou a recorrer ao Truth Social para assegurar que tal não aconteceria.

Porém o ataque foi mesmo realizado, com a Força Aérea israelita a atingir o tal radar iraniano a norte de Teerão, adiantam as autoridades israelitas.

Depois disso não houve notícias de mais ataques confirmados de uma parte ou outra, levando Trump a congratular-se por ter parado a guerra. “Tanto Israel como o Irão queriam parar a guerra, de forma igual! Foi a minha grande honra destruir todas as instalações e capacidades nucleares, e depois, PARAR A GUERRA!”, escreveu Donald Trump na sua rede social.