O presidente da RTP, Nicolau Santos, garantiu que o Governo não exerceu qualquer tipo de “pressão” para demitir a direção de informação liderada por António José Teixeira. “A minha experiência aqui é que não tivemos, nem dos anteriores governos, nem deste, até agora nenhuma pressão para fazer alguma coisa, sobretudo fazer alguma coisa do ponto de vista editorial”, afirmou.

Numa entrevista ao Expresso, publicada esta quinta-feira, Nicolau Santos assinalou que “nunca” lhe chegou qualquer “queixa de alguém do Governo, deste ou do anterior, por causa da linha editorial da RTP”. Questionado sobre as declarações do primeiro-ministro Luís Montenegro — que durante a campanha disse que a RTP era demasiado insistente nas perguntas sobre o caso Spinumviva —, o presidente da estação pública explicou que essas “coisas fazem parte do jogo mediático”.

“Os jornalistas fazem perguntas e os políticos respondem ou não respondem, sentem-se incomodados ou não. Não fomos só nós que fizemos perguntas a propósito do caso Spinumviva, quer dizer, todos os partidos políticos fizeram, os jornalistas também fizeram, os jornalistas da RTP também fizeram, fazendo o seu trabalho”, aclarou Nicolau Santos, vincando que nunca houve “qualquer pressão” para o canal público deixar de “cobrir alguma coisa”.

Em relação à António José Teixeira, o presidente da RTP assegurou que o antigo diretor não sairá da estação pública. “Esperamos que ele continue a trabalhar na RTP, que tenha eventualmente um programa como o 60 Minutes e continue como comentador na RTP”, detalhou.

Sobre a saída do antigo diretor, Nicolau Santos frisou que chegou a um ponto em que “era necessário dar um novo impulso, trazer novas ideias, trazer uma nova energia para relançar a empresa também na área da informação”. “O António José Teixeira estava há 10 anos na direção, primeiro como diretor adjunto e depois como diretor de informação da RTP durante 5 anos. É um ciclo longo, este cargo é um cargo pesado, é exigente, tem muitas solicitações, tem um dia-a-dia muito esgotante, digamos assim, e por vezes não permite às pessoas que estão mergulhadas no dia-a-dia pensarem para lá desse dia-a-dia”, explicou.

No que toca à processo de reestruturação da RTP, Nicolau Santos abordou também a “renovação humana e material da RTP” e o plano de saída voluntárias, dando conta de que 97 trabalhadores concordaram sair antecipadamente da estação pública. O diretor do canal pretende tornar a “organização mais flexível, aproximar mais pessoas, que possam partilhar projetos e a ideia é claramente essa”.

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RTP3 está a “afundar”, mas Nicolau Santos não “desiste” do canal de informação

Nicolau Santos estabeleceu uma missão durante a entrevista ao Expresso: “não desistir” da RTP3. O canal de informação “continua a afundar nas audiências”, lamenta o diretor do canal públic0. “Recentemente teve meio ponto de audiência. Meio ponto de audiência é algo que não existe porque está na margem de erro e que pode não estar ninguém a ver e por isso devemos interrogar-nos se temos dinheiro para sustentar aquele canal e pensarmos se ele é importante para o serviço público de media ou se desistimos dele.”

Apesar dos maus resultados audiométricos, Nicolau Santos garante que a RTP3 “não é para fechar”. “Tem de ser olhado como uma peça importante do grupo RTP, é o único canal de informação que temos no serviço público de media”, explica, vincando: “Não vamos desistir da RTP3, vamos tentar dar a volta e não podemos aceitar que todos os outros três canais por cabo que concorrem diretamente connosco estejam claramente à nossa frente”.

No entender de Nicolau Santos, os maus resultados da RTP3 foi algo que “não correu bem” à antiga direção de informação. O presidente da estação televisiva deseja que a direção indigitada consiga alterar o rumo da RTP3. “Estamos num novo ciclo, um novo ciclo que tem desafios diferentes do ciclo até agora.”