As autoridades moçambicanas detiveram um suspeito de envolvimento em alegado tráfico de 23 pessoas com promessa de emprego na República de Laos, anunciou esta sexta-feira o Governo, referindo que pelo menos 16 vítimas foram localizadas e sete ainda estão desaparecidas.
“Foi apurado que o grupo de 23 moçambicanos já não se encontra no local do trabalho inicial por se ter evadido e involuntariamente se desmembrado, resultando que, dos 23 cidadãos, 16 encontram-se num posto policial sob as autoridades laocianas (…), desconhecendo-se, com efeito, o paradeiro dos restantes sete”, disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, em conferência de imprensa, em Maputo.
Em causa está um alegado caso de tráfico humano de moçambicanos para supostos postos de trabalho na República de Laos, na Ásia, recrutados por dois nacionais, dos quais um já foi detido na cidade da Beira, em Sofala, no centro de Moçambique, avançou o porta-voz do executivo.
Impissa adiantou que o Governo está a dialogar com as autoridades do Laos para esclarecer o caso e assegurar o repatriamento dos 23 moçambicanos, tendo a suposta empresa que contratou o grupo garantido que vai custear as despesas do regresso.
“Há já confirmação de que vão regressar, já há também confirmação de quem vai pagar os custos sobre esta atividade, no entanto, ainda não temos essas datas. Enquanto isso, continuam esforços para a identificação doutros sete que durante a evasão acabaram por se dispersar“, disse Inocêncio Impissa, considerando o caso “preocupante”.
A procuradora-geral adjunta de Moçambique, Amabelia Chuquela, admitiu dificuldades em investigar casos de tráfico humano, devido à “sofisticação” destas operações criminosas no país, conforme noticiou a Lusa em 3 de junho.
“Continuamos a ter (…) um número [de casos de tráfico humano] que, para nós, não reflete a realidade. Temos o registo de cinco casos que ocorreram o ano passado”, disse Amabelia Chuquela.
Segundo a procuradora, o “modus operandi” destas redes “tem estado a sofisticar-se”, o que não tem permitido que haja maior identificação de casos de tráfico humano no país.