As buscas pelas pessoas que foram arrastadas pelas fortes inundações de sexta-feira no rio Guadalupe, no centro-sul do Texas, nos Estados Unidos da América, continuam, à medida que o número de mortos não pára de subir. Esta segunda-feira contam-se pelo menos 82 mortos, de acordo com a CNN Internacional. “Infelizmente, esperamos que o número aumente”, lamentou o vice-governador daquele estado, Dan Patrick, no domingo, quando a contagem de vítimas mortais ainda não tinha ultrapassado as 80.
Deste total, pelo menos 68 das mortes foram registadas no condado de Kerr. Foram recuperados os corpos de 40 adultos e 28 crianças, mas ainda é preciso identificar 18 adultos e 10 crianças deste total.
Entretanto, o National Weather Service, o instituto meteorológico norte-americano, avisa na rede social X que continua a existir a “ameaça de inundações repentinas durante a noite e ao longo do dia de segunda-feira, algures na zona de alerta de inundações”.
There remains a threat of flash flooding overnight and through the day on Monday somewhere over the Flood Watch area. Difficult to pinpoint exact locations where isolated heavier amounts occur. Any additional heavy rainfall will lead to rapid runoff and flash flooding. pic.twitter.com/9AHwr7Vkg5
— NWS Austin/San Antonio (@NWSSanAntonio) July 7, 2025
“É difícil identificar com exatidão os locais onde se registam quantidades mais elevadas isoladas. Qualquer precipitação forte adicional conduzirá a um escoamento rápido e a inundações repentinas”, alerta o instituto.
Este domingo, centenas de trabalhadores de equipas de resgate ainda se encontravam nas zonas inundadas a vasculhar as margens do rio Guadalupe, na região de Texas Hill Country. Há ainda um número incerto de desaparecidos, incluindo várias raparigas que participavam num acampamento cristão, reporta a agência de notícias Associated Press (AP).
O campo de férias Mystic emitiu este domingo o primeiro comunicado após a enxurrada. À NBC News, foi indicado que morreram pelo menos 27 pessoas só no campo de férias. “O campo Mystic está profundamente desolado de confirmar que com a súbita cheia catastrófica do rio Guadalupe perdemos 27 pessoas e algumas ainda estão desaparecidos. Esta tragédia devastou-nos e devastou toda a nossa comunidade.” Neste momento, o campo indicou que ainda estão 11 meninas desaparecidas.
As colinas ao longo do rio Guadalupe estão repletas de acampamentos juvenis e parques de campismo, particularmente populares durante o feriado de 4 de julho.
As autoridades estão a recolher o ADN de familiares de pessoas desaparecidas numa tentativa de acelerar a identificação de corpos encontrados. As amostras estão a ser transportadas para a Universidade do Norte do Texas, em Dallas, para assegurar estes testes. “Vamos ter testes rápidos de ADN em horas, não em dias, para ter conclusões e dar informação às famílias”, explicou o coronel Freeman Martin, do Departamento de Segurança Pública do Texas.
A tempestade de sexta-feira fez com que as águas do rio subissem oito metros em apenas 45 minutos antes do amanhecer, e os efeitos ainda estão a ser sentidos. Aliás, as chuvas torrenciais continuaram a atingir este sábado comunidades nos arredores de San Antonio, tendo as autoridades lançado alertas e avisos de enchentes repentinas que permanecem ativos. No local há helicópteros, barcos e drones que continuam à procura de vítimas e a resgatar quem esteja preso ou isolado. “Não vamos parar até encontrarmos todos os desaparecidos”, disse Nim Kidd, chefe do Departamento de Gestão de Emergências do Texas.
As autoridades também ainda não esclareceram se os acampamentos e os residentes em locais muito vulneráveis a inundações receberam os avisos adequados e se foram feitos preparativos suficientes, escreve a AP.
No condado de Kerr, onde os cursos de água, arrastados pelas tempestades, destruíram um acampamento de raparigas cristãs, encurralaram famílias em roulottes e arrastaram pessoas para as correntes, as autoridades afirmaram que cerca de duas dúzias de campistas continuavam por encontrar e que não havia “qualquer limite” para o número total de desaparecidos. As autoridades estatais e locais afirmaram que a busca era agora uma corrida contra o tempo, mas recusaram-se a perder a esperança de encontrar mais sobreviventes.
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O que se sabe sobre as vítimas
As autoridades ainda estão a trabalhar para identificar muitas das vítimas mortais. Algumas, porém, já foram identificadas e reportadas na imprensa norte-americana e internacional. É o caso de uma criança de 8 anos de MountainBrook, Alabama, que estava no Camp Mystic, e o diretor de um outro acampamento na mesma rua, escreve a Associated Press.
Já em San Angelo, Texas, Tanya Burwick, de 62 anos, foi encontrada a vários quarteirões do seu carro, depois de este ter ficado submerso nas águas das cheias, informou a polícia local, reporta o New York Times.
Também duas irmãs, Blair e Brooke Harber, de 13 e 11 anos respetivamente, morreram depois de a sua cabana ter sido levada pelas águas da enchente, de acordo com o reverendo Joshua J. Whitfield, pároco da Comunidade Católica Santa Rita, em Dallas, reporta o mesmo diário nova-iorquino. Numa carta que enviou à paróquia no sábado, Whitfield disse que as raparigas estavam numa cabana com os avós e que os avós ainda estão desaparecidos.
Janie Hunt, de nove anos de idade, de Dallas, que estava a frequentar o Camp Mystic pela primeira vez este verão com seis primos, também morreu, de acordo com a sua avó, Margaret Hunt. Os seus primos estão todos bem, disse numa entrevista telefónica.
Julian Ryan, 27 anos, de Ingram, é outra das vítimas mortais. A mãe, Marilyn Ryan, disse ao New York Times que o filho morreu ao tentar salvá-la a ela, ao noivo do filho e respetivos filhos. A família ficou presa quando a água subiu no interior da caravana e Julian esmurrou uma janela para poderem escapar. Mas o vidro cortou-lhe gravemente o braço, disse a mãe ao jornal, e este acabaria por morrer pouco depois.
Brian Eads, que ontem procurava notícias da mulher, Katheryn, num abrigo de emergência, disse este sábado que esta tinha morrido. “Ambos fomos arrastados e depois perdi-a”, disse Eads numa igreja de Kerrsville que abrigava sobreviventes, reporta o New York Times. Eads terá sobrevivido agarrando-se a uma árvore.
Entre as vítimas mortais confirmadas estão também Bobby Martin, 46 anos, e a mulher, Amanda Martin, 44 anos, de Odessa, no Texas, que morreram na sequência da inundação, segundo o pai de Bobby Martin, John Keith Martin. O casal estava a acampar junto ao rio Guadalupe quando a caravana foi arrastada, escreve o Times.
Jane Ragsdale, diretora e co-proprietária do campo de férias Heart O’ the Hills, no condado de Kerr, também é uma das vítimas mortais confirmadas das inundações, segundo um comunicado publicado no site do campo.
Este sábado, as autoridades reconheceram uma “realidade dolorosa”, nota ainda o New York Times: à medida que o tempo passa, a probabilidade de encontrar sobreviventes vai diminuindo. No entanto, não perdem algum otimismo: “A nossa esperança é de que ainda existam pessoas vivas e estamos a procurá-las ativamente”, disse aos jornalistas W. Nim Kidd, chefe da Divisão de Gestão de Emergências do Texas.
Nos últimos dias, pais e famílias em pânico estão a publicar nas redes sociais fotografias dos seus familiares desaparecidos, em busca por informações sobre o seu paradeiro.
Notícia atualizada às 10h21 de segunda-feira com atualização do número de mortos.