A história numa cidade com história. Mais de uma década depois, a Volta a França voltou a ter uma etapa com chegada a Rouen. Na primeira incursão pela região da Normandia, Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) não precisou de muito para fazer história… ou melhor, precisou de um super João Almeida que, uma vez mais, voltou a mostrar que está na melhor fase da carreira. Com o português no papel de super-gregário, o esloveno foi lançado para mais um sprint frente ao seu grande amigo Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck), só que desta vez levou a melhor e atingiu a vitória número 100 da sua ainda curta carreira, numa epopeia que começou na Foia, na Volta ao Algarve de 2019. Ainda assim, a amarela manteve-se no corpo do neerlandês, ao passo que o português subiu ao oitavo lugar, ganhando tempo a todos os rivais, à exceção do colega de equipa e de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).

O dia 100 de um canibal que não vive sem mostrar a sua força: Pogacar bate Van der Poel ao sprint depois de grande trabalho de Almeida

“Fizemos um trabalho muito forte como equipa. Todos desempenharam o seu papel. Finalizei a etapa com uma certa facilidade, mas os outros esforçaram-se muito durante todo o dia. Mantivemos o plano e o Tadej foi o mais forte na chegada. Foi perfeito. Não se trata apenas de mim, trata-se dos oito. Somos mais do que companheiros de equipa, somos amigos. Trabalhamos juntos com um propósito em comum, e é um verdadeiro prazer fazer parte de algo assim. Foi difícil, todos estavam a atacar e tivemos que manter a corrida sob controlo para proteger o Tadej. Acho que fiz bem o meu trabalho e até consegui forçar bastante nos momentos finais. É incrível a 100.ª vitória para o Tadej. É uma honra contribuir para um momento como esse. A equipa esteve absolutamente impecável hoje [terça-feira]”, começou por dizer o Bota Lume ao Eurosport.

“Foi um dia bastante bom e bastante difícil, com muitas quedas e com muito nervosismo. Foi difícil estar bem posicionado, mas dei o meu melhor. No final estava a sentir-me bem. Tínhamos o plano de acelerar na subida inclinada e curta antes da meta, e controlar o final para o Tadej. Acho que fiz um bom trabalho. Estou satisfeito com o dia de hoje. Salvámos o dia, chegámos sãos e salvos, sem quedas e sem percalços. Foi um dia passado com sucesso e a vitória do Tadej foi excelente. Temos de estar orgulhosos do nosso trabalho e focar nos próximos dias”, afirmou Almeida, depois, citado pela sua assessoria.

Por entre os recordes de subidas de Pogacar e Vingegaard e os mais de 50 quilómetros por hora atingidos nos últimos 500 metros do sprint, Remco Evenepoel (Soudal Quick-Step) perdeu três segundos, mas mantinha-se com a confiança em alta para o contrarrelógio desta quarta-feira, que se afirmava como a sua principal especialidade. “Não fiz o reconhecimento do contrarrelógio. Por causa da minha lesão, muitos reconhecimentos não foram feitos. A diferença para o camisola amarela é de 58 segundos, então o sonho amarelo é possível”, assumiu o campeão do mundo de contrarrelógio no final da etapa.

Por entre os planaltos e as terras verdejantes da Normandia, a Grande Boucle instalou-se de malas e bagagens em Caen, cidade que Victor Hugo apelidou de “cidade das 100 torres de sino” e que é classificada como a terra da arte e da história, por conta dos seus edifícios que datam do século XIV e da época contemporânea. Assim, entre o passado e a vontade de fazer o seu nome perdurar no futuro, os corredores tinham pela frente um contrarrelógio de 33 quilómetros com quase 30 quilómetros feitos em terreno plano, que prometia agitar a classificação geral. Apesar de ter apenas 156 metros de desnível, o vento podia assumir-se como a principal dificuldade.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 8.º e último episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui, o sexto aqui e o sétimo aqui]

O campeão da Europa, Edoardo Affini (Visma) foi um dos destaques da primeira fase do contrarrelógio, ao efetuar um tempo próximo de baixar do minuto 37 (37.15), que lhe permitiu retirar Iván Romeo (Movistar) do primeiro lugar. Bruno Armirail (Decathlon AG2R La Mondiale), campeão francês da especialidade, foi o que mais se aproximou, demorando apenas mais dois segundos. Evenepoel começou a todo o gás e, no primeiro ponto intermédio, rubricou o segundo melhor tempo, a 2,58 segundos de Luke Plapp (Jayco AlUla). Pogacar fez praticamente o mesmo tempo do rival, ao passo que Vingegaard perdia cerca de 20 segundos. Nessa fase, Almeida já perdia 34 segundos para os rivais e Van der Poel perdia oficialmente a amarela, com um atraso de 29 segundos, e entrava em ritmo de gestão para as próximas etapas.

Com o vento a fazer-se sentir, o belga começou a perder tempo para Affini a meio da jornada, rubricando o terceiro melhor tempo, a oito segundos de Plapp e quatro do italiano, mas melhorou à entrada para os últimos oito quilómetros, chegando ao melhor tempo no último ponto intermédio, com uma vantagem de 17 segundos para Pogacar, 1.03 minutos para Almeida e 1.05 para Vingegaard. Com a vitória no bolso, Remco Evenepoel ainda teve de esperar algum tempo para ver confirmado o seu quinto triunfo da temporada. O esloveno foi segundo, a 16,68 segundos, com Affini a segurar o pódio, a 33,06. Almeida confirmou a regularidade neste esforço e terminou a 1.14 minutos do primeiro lugar, no oitavo posto, ao passo que Vingegaard perdeu 1.21.

Na nova geral, Tadej Pogacar é o novo líder, com 42 segundos de vantagem para Evenepoel e 59 para Kévin Vauquelin (Arkéa-B&B Hotels). Jonas Vingegaard caiu para o quarto lugar, a 1.13 minutos, com Matteo Jorgenson (Visma) a completar o top 5, a 1.22. João Almeida voltou a subir lugar e é agora oitavo, a 1.53 do colega de equipa.