Era uma oportunidade de ouro. No regresso à Alemanha e a Sachsenring, onde teve o melhor fim de semana em duas épocas de Aprilia com o segundo lugar na sprint de sábado e a sexta posição na corrida de domingo, Miguel Oliveira entrava com tudo para fechar a porta à crise de resultados e encontrar uma janela que lhe desse outro fôlego no Mundial e dentro da própria equipa da Prima Pramac. O que teria de fazer? Melhorar nos treinos livres. Porque tem sido um dos grandes calcanhares de Aquiles da temporada, porque um top 10 tem o condão de assegurar um posto nas quatro primeiras linhas da grelha. Motivação não faltava, depois de mais testes que se seguiram à desistência nos Países Baixos na sequência de um incidente logo na volta inicial com o japonês Ai Ogura, que acabou por ser determinante para o seu segundo abandono de 2025.

Um fim de semana que podia ter sido para recordar tornou-se num dia para esquecer: Miguel Oliveira abandona em Assen, Marc Márquez vence

“Sachsenring é uma pista que gosto muito. Em 2021 estava a lutar pela vitória aqui e, mesmo no ano passado, sentia-me competitivo. Por isso, estou otimista de que podemos ter um fim de semana forte. Quero continuar a construir sobre o progresso que já fizemos – mesmo em Assen, apesar do abandono após aquele contacto na primeira volta, estava confiante de que poderia ter alcançado um bom resultado”, referiu o piloto português à assessoria de imprensa da equipa da Yamaha, na sequência de duas semanas sem provas que foram aproveitadas para uma passagem por Brno, na Rep. Checa, para dois dias de testes com a Pramac.

“Quero continuar a fazer evoluir os progressos que temos feito, mesmo em Assen, apesar da desistência depois de um toque que sofri na primeira volta”, reforçou o Falcão, após esses dois dias no início de julho onde experimentou alguns novos componentes como a parte eletrónica ou de aquecimento da moto. “Sinto que estou bem mas o pior é que os resultados atualmente não refletem a nossa posição. Em condições de pouca aderência, sou provavelmente o segundo melhor piloto da Yamaha neste momento, mas quando temos muita aderência e se trata de aproveitá-la… Não é aceitável que faça tempos de volta de 1.32,2 na corrida e de 1.31,9 na qualificação. Tenho de trabalhar nisso”, assumira o número 88 na semana passada.

Miguel Oliveira confiante num bom resultado no GP da Alemanha de MotoGP

“Vimos de um teste bastante positivo em Brno, embora, em comparação com Sachsenring, sejam duas pistas completamente diferentes. Por isso, em termos de configuração, não poderemos usar algumas das soluções que testámos durante esses dois dias. O circuito alemão geralmente oferece pouca aderência e esperamos que a temperatura nos ajude a encontrar o desempenho que falta, especialmente quando está muito calor e os níveis de aderência não são ideais”, salientara também Gino Borsoi, diretor da Prima Pramac.

Era complicado encontrar melhor contexto e condições para arrancar a primeira qualificação direta para a Q2, algo que ficou ainda mais reforçado depois da décima posição conseguida na Q1, que teve Marc Márquez como o mais rápido logo seguido do companheiro de equipa do português, Jack Miller. No entanto, e quando nada apontava nesse sentido, a parte final da segunda sessão de treinos livres acabou por não confirmar tudo aquilo que Miguel Oliveira tinha mostrado, não indo além de uma modesta 17.ª posição com uma passagem pela Q1 para lutar pela melhor posição possível para a grelha de partida de sábado e de domingo.

Depois de ter sido o último piloto a ter um tempo para registo, na sequência de uma entrada em pista inicial só com uma volta lançada, Miguel Oliveira não demorou a mostrar que tinha moto para andar em lugares de Q2, tendo durante largos minutos um dos dez melhores tempos. No final, aí, a história foi outra: o português, que tinha descido para 11.º e depois para 13.º, nunca conseguiu bater o seu registo mais rápido ao longo das três tentativas lançadas e não foi além do 17.º posto (1.20,202), muito atrás do companheiro de equipa não só em termos de posição mas também de tempo (Miller foi oitavo a rodar meio segundo mais rápido). Fabio Di Giannantonio fez o melhor registo batendo o recorde da pista (1.19,071), seguindo-se Álex Márquez, Marc Márquez, Fabio Quartararo, Pedro Acosta, Franco Morbidelli, Marco Bezzecchi, Jack Miller, Pecco Bagnaia e Brad Binder, último apurado direto para a Q2 que terminou com o tempo de 1.19,733.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 8.º e último episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui, o sexto aqui e o sétimo aqui]