O protótipo original da primeira carteira Birkin, da Hermès, criado de propósito para a atriz Jane Birkin em 1984, foi vendido por 8,6 milhões de euros à empresa japonesa Valuence Japan Inc. A aquisição, que se tornou a mais cara da história na categoria de carteiras, foi feita através de um lance telefónico na leiloeira Sotheby’s, conduzido por Maiko Ichikawa, diretora do escritório japonês da prestigiada casa de leilões, segundo o La Vanguardia.

Sediada em Tóquio, a Valuence opera através das marcas Allu e Nanboya, especializando-se na reutilização de peças como relógios, joias, vestuário e acessórios de luxo. A empresa tem como missão prolongar a vida útil destes artigos, promovendo ciclos sustentáveis de consumo.

Ao contrário do que se poderia esperar numa compra deste valor, a aquisição da carteira não teve fins comerciais. De acordo com um comunicado oficial da Valuence, citado pelo mesmo jornal, a compra insere-se no compromisso com a preservação do património cultural: “Esta iniciativa representa um ato de elevado impacto social, alinhado com os nossos valores de sustentabilidade e responsabilidade cultural”, afirmou a empresa, acrescentando que a intenção é conservar cuidadosamente a peça e torná-la acessível ao público — para que possa ser apreciada como um testemunho da história da moda.

Shinsuke Sakimoto, atual CEO da Valuence, reiterou esta visão, declarando que não vê a Birkin como um simples acessório de luxo, mas sim como um artefacto cultural que carrega memórias, identidade e transformação. “Esta não é apenas uma peça de moda, é um símbolo que deve ser partilhado com o mundo”, sublinhou o empresário.

A Valuence já anunciou que irá organizar uma apresentação oficial no Japão para mostrar a peça aos meios de comunicação social e a todos os interessados. As datas e os detalhes da exposição serão divulgados nos próximos dias.

A carteira pertenceu a Jane Birkin e tem as marcas do uso real da atriz, como adesivos, pins, uma alça arranjada com arame e até as iniciais “J.B.” escritas à mão. Só em 1994 é que decidiu doar a peça para uma instituição que ajuda pacientes com Sida. Em 2000, a francesa Catherine Bernier comprou-a num leilão e manteve-a consigo durante 25 anos.