Mont Ventoux. É no sul de França, nos Alpes, que se localiza o “Gigante da Provença”, uma das subida mais icónica da Volta a França. Apesar dos seus 1.910 metros, não e a montanha mais alta da Grande Boucle, nem a mais inclinada, mas a sua morfologia faz com que seja uma das mais temidas pelo pelotão. Afinal, o vento intenso — pode chegar aos 320 km/h — e a forte temperatura — 55ºC — que se podem registar nos últimos seis quilómetros de uma subida de 21, são suficientes para desmoralizar qualquer corredor. Foi assim que, em 1967, o britânico Tom Simpson, antigo campeão do mundo, sofreu trágico golpe e morreu naquele local. Foi por isso que Eddy Merckx teceu uma das suas mais célebres frases: “Não está louco quem sobe ao Mont Ventoux mas é louco quem depois o repete”.
Por tudo isto, quem consegue “destronar” o Mont Ventoux entra automaticamente para o quadro de heróis da Volta a França, onde figuram nomes como Raymond Poulidor, Merckx, Marco Pantani, Chris Froome e, desde esta terça-feira, Valentin Paret-Peintre. Contudo, foi já depois do triunfo ao sprint do francês que se registou um dos momentos mais impactantes deste Tour quando, depois de cortar a meta amparado pelo colega Andreas Leknessund, Tobias Johannessen (Uno-XMobility) caiu no chão. O ciclista norueguês foi rapidamente assistido pela equipas médicas da corrida, recebeu oxigénio e foi transportado para uma ambulância.
3. We had also a crash in the final. (????: @pipecano_photo) pic.twitter.com/fzbocMkYlB
— Lukáš Ronald Lukács (@lucasaganronald) July 23, 2025
Logo após o incidente, a equipa norueguesa explicou o sucedido nas redes sociais. “O Tobias queixou-se de dores abdominais no lado direito durante a subida de hoje [terça-feira]. Chegou ao final, onde foi imediatamente assistido pelos médicos da prova e recebeu oxigénio. [Johannessen] está a sentir-se muito melhor, mas irá ser transportado para o hospital local de modo a ser submetido a mais exames”, escreveu inicialmente a Uno-X. Mais tarde, a formação Pro Tour partilhou uma foto do ciclista, acompanhada da seguinte mensagem: “O Tobias está de volta ao hotel e a sentir-se bem. Todos os testes realizados tiveram resultados positivos. Vamos aproveitar a noite para deixá-lo descansar e tomar uma decisão amanhã pela manhã”.
Durante a manhã desta quarta-feira, a Uno-X partilhou um comunicado sobre todos os procedimentos e garantiu a continuidade de Johannessen no Tour. “Na sequência de investigações minuciosas, a equipa médica concluiu que o Tobias sofreu graves cãibras no estômago durante os quilómetros finais da etapa 16 até ao Mont Ventoux. Graças à rápida e profissional abordagem dos médicos da corrida, recebeu cuidados imediatos e excelentes na meta. Todos os protocolos necessários foram seguidos, o que também fez com que a situação parecesse mais crítica no momento. Como parte do tratamento de emergência e após os procedimentos definidos, o Tobias recebeu oxigénio e 500ml de solução salina intravenosa. O tratamento foi administrado pela equipa médica da corrida e foi revisto e aprovado pela equipa médica da UCI. O Tobias foi autorizado a continuar a correr”, começou por escrever a equipa.
“O Tobias sentiu-se muito melhor apenas alguns minutos depois, mas por uma abundância de cuidados, foi transportado de ambulância para o camião médico do Tour e depois para o Centro Hospitalar de Carpentras. Foram realizados um exame de ultrassom, raio-X, análises ao sangue e eletrocardiogramas, que não mostraram anormalidades. O Tobias está a sentir-se bem e vai começar a etapa 17, enquanto esperamos alguns dias difíceis neste final do Tour. O Tobias e a Uno-X agradecem a todos os que garantiram que ele estava em boas mãos após a etapa, e à equipa médica do Centro Hospitalar de Carpentras pela avaliação rápida e minuciosa durante a noite”, concluiu.
Tobias Johannessen está, assim, presente no arranque da 17.ª etapa da Volta a França, que liga Bollène a Valence, num total de 160,4 quilómetros. O norueguês ocupa o oitavo lugar na geral, a 17.01 minutos de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG). Caso consiga chegar a Paris nesse lugar, Johannessen dará à Uno-X o primeiro top 10 da sua história em Grandes Voltas.
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]