A estreia da 27.ª temporada da série norte-americana de animação South Park, esta semana, enfureceu a Casa Branca devido à caricatura feita do Presidente dos EUA, Donald Trump, que é representado na cama com Satanás, aparece a ameaçar processos e até surge várias vezes (incluindo numa imagem fotorrealista gerada por inteligência artificial) completamente nu.
O episódio, intitulado “Sermão da Montanha”, tem em Donald Trump o grande protagonista, mas a série também atira à Paramount (que é a empresa detentora do canal Comedy Central, que emite South Park), devido à recente decisão da empresa de chegar a acordo com Donald Trump na sequência de um diferendo judicial em torno do modo como foi editado um episódio de 60 Minutos com uma entrevista a Kamala Harris.
Segundo o The Guardian, o episódio coloca Donald Trump a processar a cidade de South Park depois de os seus habitantes terem começado a contestar a presença de Jesus Cristo na escola primária local (para devolver o pensamento cristão à educação norte-americana). A certa altura, Jesus Cristo diz-lhes que devem chegar a um acordo. “Viram o que aconteceu à CBS? Bom, adivinhem quem é a dona da CBS? A Paramount. Querem mesmo acabar como Colbert?”, diz a personagem, numa referência ao polémico fim do Late Show, recentemente anunciado pela CBS.
Mas a grande caricatura do episódio é de Donald Trump, que surge várias vezes na cama com Satanás e retira as calças para exibir o pénis — multiplicam-se, aliás, as referências ao suposto pequeno tamanho do pénis de Trump. No final do episódio, uma sequência gerada por inteligência artificial mostra Donald Trump a despir-se no deserto e a cair ao chão, já totalmente nu, com novas referências ao tamanho do seu pénis.
Na quinta-feira, a Casa Branca emitiu um comunicado sobre o episódio, assinado pela porta-voz Taylor Rogers. “Esta série já não é relevante há mais de 20 anos e está presa por um fio, com ideias desinspiradas numa tentativa desesperada de obter atenção”, diz o comunicado. “O Presidente Trump cumpriu mais promessas em apenas seis meses do que qualquer outro presidente na história do nosso país. E nenhum programa de quarta categoria vai atrapalhar a sequência de vitórias do Presidente Trump.”
Também na quinta-feira, os criadores da série South Park, Trey Parker e Matt Stone, falaram sobre a polémica em torno do episódio, durante uma mesa redonda na Comic-Con de San Diego, com outros criadores de animação.
Questionado sobre a controvérsia e sobre o comunicado da Casa Branca, Trey Parker reagiu com recurso ao chamado humor deadpan, limitando-se a dizer ironicamente “Lamentamos muito” (“We’re terribly sorry“), seguido de vários segundos em silêncio. Parker acrescentou que houve toda uma discussão interna entre os criadores e os produtores da série sobre se o pénis de Trump deveria ser ocultado ou desfocado. Os criadores acabaram por optar por colocar olhos e uma boca no pénis de Trump, transformando-o numa espécie de personagem que interage com o Presidente.
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]