Na universidade de Edimburgo existe uma “sala de crânios” fechada ao público, mas à qual o The Guardian teve acesso, criada em parte para acolher a coleção de crânios da Sociedade Frenológica de Edimburgo, alguns usados desde o século XVIII para estudar supostas diferenças raciais. Alguns foram doados e outros são de criminosos escoceses executados e há também várias centenas de indígenas, que foram roubados das ex-colónias do Império Britânico e ali permanecem, perfilados lado a lado em armários altos de mogno e vidro.
O jornal britânico explica que a frenologia era a ciência que sustentava a crença, entretanto já desacreditada, de que as ranhuras e saliências no crânio explicariam o intelecto e a moral de um indivíduo e serviriam como ferramenta de categorização racial, colocando o homem branco europeu no topo de uma suposta hierarquia.
Apesar de a frenologia não ter sido formalmente ensinada e de membros da elite médica da cidade criticarem a sua abordagem não científica, um estudo para o relatório de descolonização da universidade revela que alguns acreditavam na existência de diferenças biológicas imutáveis entre as populações e estas ideias racistas foram transmitidas a milhares de estudantes, evidenciando o papel decisivo da universidade na sua disseminação pelo império britânico, noticia o The Guardian.
Alexander Monro III, por exemplo, era um professor de anatomia que ensinava que “o crânio de um negro, e consequentemente o seu cérebro, é mais pequeno do que o de um europeu”.
“Não é possível escapar” ao propósito que teve esta coleção de crânios, explica o professor Tom Gillingwater ao jornal. Mas em relação às recomendações para que a universidade apoie a repatriação de restos mortais ancestrais às suas comunidades originais, Gillingwater alerta para os obstáculos e “anos de trabalho para cada caso individual” na identificação dos crânios, sendo que “jamais sonharia em devolver restos mortais a uma família sem saber exatamente quem eles eram”.
“Tudo o que posso oferecer neste momento é que continuemos a cuidar deles (…) com a dignidade e o respeito que merecem”, acrescenta o professor. Mais de 100 crânios já foram repatriados mas construir a confiança com as comunidades e lidar com tensões geopolíticas sobre qual tem a maior reivindicação sobre os restantes restos mortais levará tempo.
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Texto editado por Dulce Neto.