Pôr fim à “situação catastrófica em Gaza”, permitindo a entrada de ajuda humanitária de forma significativa no enclave, assinar um cessar-fogo e garantir que Israel não irá anexar a Cisjordânia e se comprometerá com uma solução para a paz a longo prazo. Estas são as exigências que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, impôs esta terça-feira ao seu homólogo israelita, Benjamin Netanyahu. Caso contrário, o Reino Unido irá reconhecer a Palestina durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.
De acordo com um comunicado do gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer falou com Netanyahu antes de uma reunião de emergência do seu Conselho de Ministros ao início da tarde desta terça-feira, após a qual anunciou a nova posição britânica sobre a Palestina. Segundo Downing Street, Starmer instou Netanyahu a levantar imediatamente as restrições à ajuda humanitária em Gaza.
Starmer falou também com o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas, e ambos concordaram que o grupo islâmico palestiniano Hamas deve comprometer-se com o desarmamento e aceitar que não terá qualquer papel no futuro governo da Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro britânico telefonou também ao seu homólogo canadiano, Mark Carney, e ao Rei Abdullah II da Jordânia, a quem agradeceu o trabalho na aceleração da entrega de ajuda a Gaza, indicou ainda Downing Street. O Reino Unido tem coordenado com a Jordânia estas entregas através de paraquedas.
A decisão britânica — ainda que condicional — acontece na semana em que a comunidade internacional, menos os Estados Unidos e Israel, se reúnem nas Nações Unidas para discutir a implementação prática da solução de dois Estados e menos de uma semana depois de o Presidente francês, Emmanuel Macron, ter anunciado que Paris vai anunciar o reconhecimento do Estado da Palestina em setembro, durante a Assembleia Geral.
Tal como aconteceu com a decisão de Paris, o anúncio de Londres foi recebido com duras críticas de Israel, que classificou o reconhecimento como uma “recompensa para o Hamas” e um obstáculo aos esforços para conseguir um cessar-fogo em Gaza.
“A mudança de posição do Governo britânico neste momento, após a iniciativa francesa e sob pressão política interna, constitui uma recompensa para o Hamas e prejudica os esforços para garantir um cessar-fogo em Gaza e uma estrutura para a libertação dos reféns”, escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita num comunicado.
Israel rejects the statement by the Prime Minister of the United Kingdom.
The shift in the British government’s position at this time, following the French move and internal political pressures, constitutes a reward for Hamas and harms efforts to achieve a ceasefire in Gaza and… pic.twitter.com/CG2tueCYRe
— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) July 29, 2025
Benjamin Netanyahu declarou, por sua vez, que “Starmer recompensa o terrorismo monstruoso do Hamas e pune as suas vítimas”. “Um estado jihadista na fronteira de Israel HOJE vai ameaçar a Grã-Bretanha AMANHÃ. O apaziguamento de terroristas jihadistas falha sempre. Também vai falhar com vocês. Não vai acontecer”, escreveu o primeiro-ministro israelita nas suas redes sociais.
Caso se concretize a intenção do executivo britânico, o Reino Unido será o segundo país do G7 (grupo das sete maiores economias mundiais), a reconhecer o Estado palestiniano em setembro. A par de França, o Reino Unido também integra o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (os restantes são China, Rússia e Estados Unidos). Até ao momento, pelo menos 142 dos 193 países-membros da ONU reconhecem o Estado palestiniano, segundo dados da agência noticiosa francesa AFP.
A guerra em curso em Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo grupo extremista palestiniano Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e mais de duas centenas foram feitas reféns.
A retaliação de Israel já provocou mais de 60 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas. Israel também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 140 pessoas já morreram de desnutrição e fome.
[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]