Siga aqui o liveblog sobre o sismo de magnitude 8,8 seguido de tsunami registado na Rússia
Há 14 anos que não se registava — em todo o mundo — um sismo com uma magnitude tão elevada como aquele que esta quarta-feira se fez sentir na península russa de Kamchatka. Até agora sem que tenha existido registo de vítimas ou de danos materiais significativos, quer na Rússia quer nos países banhados pela costa do Pacífico que ficaram sob alerta de tsunami.
O terramoto com magnitude de 8,8 na escala de Richter é o “maior evento a ocorrer ao nível global desde o sismo de magnitude 9,0 em Tohoku, Japão, em 2011, e está entre os dez maiores sismos a ocorrer globalmente desde 1900”, informa o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Se se alargasse a análise, verificava-se que terá tido uma magnitude idêntica (de entre 8,7 e 9,0) à que se estima ter tido o grande terramoto que destruiu a cidade de Lisboa, em 1755. muito antes de existirem os registos e medições atuais.
Num paralelo mais próximo no tempo, em 11 de março de 2011, um sismo de 9,0 seguido de um tsunami no nordeste Japão causou danos generalizados em terra e deu início a uma série de grandes ondas de tsunami que devastaram muitas áreas costeiras do país, principalmente na região de Tōhoku. O tsunami também provocou também um grande acidente nuclear numa central nuclear ao longo da costa.
Já em relação às vítimas resultantes deste sismo registado há 14 anos, se os relatórios iniciais davam conta de um número de mortos na casa das centenas, contando também com centenas de desaparecidos, um balanço final acabou por determinar que pelo menos 18 mil pessoas morreram, com centenas de corpos a nunca terem sido recuperados.
De acordo com a autoridade norte-americana já citada, o evento de magnitude 8,8 desta quarta-feira é o mais recente de uma sequência de sismos que ocorreram na costa da península de Kamchatka, iniciada 10 dias antes.
“Antes do sismo de magnitude 8,8, ocorreram 50 sismos de magnitude superior a 5,0, incluindo um sismo de magnitude 7,4 no dia 20 de julho de 2025 e três sismos de magnitude 6,6″, lê-se na nota do Serviço Geológico dos EUA.
A entrada do sismo em Kamchatka no top 10 de maiores sismos registados desde 1900
O Serviço Geológico dos EUA que fez recentemente o levantamento dos 10 maiores sismos alguma vez registados em todo o mundo, tendo em conta os registos disponíveis desde 1900 não demorou a colocar este sismo no top 10, mas não é, no entanto, a primeira vez que um terramoto na região russa de Kamchatka atinge uma dimensão suficiente para entrar no ranking.
Um sismo de magnitude 9,0, registado em 1952 na região russa, foi o primeiro de sempre desta a magnitude a ser registado em todo o mundo e desencadeou um enorme tsunami que atingiu o Havai — como era esperado esta quarta-feira, mas não chegou a acontecer — causando mais de 1 milhão de dólares em danos.
A maioria das fontes sobre este sismo indicam que não houve mortes registadas, cenário que parece repetir-se com o sismo desta quarta-feira. O facto de Kamchatka ser uma das regiões menos povoadas da Rússia contribui para a ausência de vítimas mortais em sequência destes desastres naturais.
Um sismo de magnitude 9,5 que atingiu a região central do Chile, em 1960, ocupa o lugar cimeiro na contagem dos 10 maiores sismos de sempre. É conhecido como o Terramoto de Valdivia ou Grande Terramoto Chileno e é o maior terramoto de que há registo, tendo resultado num número estimado de mais de 1.600 mortes no país e noutros locais, a maioria das quais provocadas pelo grande tsunami resultante do abalo.
Quatro anos depois, no Alasca, EUA, um sismo de magnitude 9,2 abalou o Estreito de Príncipe William, com uma duração de quase 5 minutos. Mais de 130 pessoas morreram no maior sismo registado nos EUA e no tsunami subsequente.
No terceiro lugar dos registos sísmicos está o sismo de 2004 com epicentro em Sumatra, na Indonésia, de magnitude 9,1, que resultou igualmente num enorme tsunami. As duas catástrofes devastaram o sudeste e sul da Ásia e o leste de África, matando 230.000 pessoas. Só a Indonésia registou mais de 167.000 mortes, tendo sido dizimadas comunidades inteiras e causando a morte a muitos turistas.
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