Ainda não tinha jogado, já estava a ser acusado de fazer más escolhas. Mudar de Portugal para Inglaterra não é apenas trocar a Primeira Liga pela Premier League, como Ruben Amorim rapidamente percebeu. Há muito mais compromissos, há muito mais entrevistas, há muito mais mediatismo, há muito mais foco para receber elogios ou críticas. Para já, tendo em conta que foi o último reforço a chegar, tinham sobrado sobretudo boas opiniões pelo rendimento do sueco no Sporting ao longo de duas temporadas. No entanto, também houve quem não demorasse a olhar para outros pontos negativos. Michael Owen, ex-Bola de Ouro, foi um deles.

“A pressão sobre ele é imensa porque o Arsenal precisava de um avançado há muito tempo e agora finalmente tem um. Todos acham que é a peça que faltava para desmontar o quebra-cabeças. Contudo, ele chega e decide vestir a camisola número 14, o que só aumenta a pressão, porque a sombra de Thierry Henry ainda é enorme nesse número. Se ele marcar golos e se ele jogar bem, o Arsenal voltará a ser um sério candidato. Mas, se isso não acontecer, não vejo ninguém além do Liverpool como favorito…”, apontou o antigo internacional inglês que ganhou a Bola de Ouro no Liverpool antes de rumar aos espanhóis do Real.

Uma coisa é certa: 14 ou não 14, a camisola de Gyökeres não demorou a bater recorde de vendas, deixando a loja online em baixo durante um par de horas pelo excesso de procura. A própria forma como o sueco foi recebido no grupo do Arsenal mostrou bem a importância que o clube lhe atribui para quebrar finalmente o jejum de títulos, que no caso da Premier já supera as duas décadas. Foi por isso que, de forma natural, as conferências de imprensa em Hong Kong, para onde a equipa se mudou depois dos triunfos com AC Milan e Newcastle em Singapura, começaram a andar à volta do impacto que o avançado pode ter na equipa.

“Sabemos o quão assustador é jogar contra ele”: Saliba está “feliz por jogar” com Gyökeres (que bateu recorde de vendas de camisolas)

“Estreia com o Tottenham? Vamos avaliar hoje [quarta-feira] à noite como ele está. Se a equipa médica estiver contente com a sua condição para participar no jogo de amanhã [quinta-feira], é uma possibilidade. Vamos discutir isso esta noite. Uma palavra para descrever a aposta no número 14? Acho que uso a palavra convicção. Foi a primeira coisa que reparei quando falei com ele. Alguém muito determinado, alguém que já estava realmente ligado ao clube, pela forma como falava sobre o clube, a história, neste caso o Thierry [Henry], e o que a camisola representava. Senti isso é preciso ir em frente”, comentou Mikel Arteta.

“Adaptação? Acho que já aconteceu porque quando a notícia foi divulgada e depois percebes a magnitude do clube que vais representar e como tudo se torna viral tão rapidamente nos dias de hoje… Acho que a reação imediata dele foi… ‘Uau!’. Depois vê a forma como foi recebido pelo grupo, o treino que acabámos de fazer com 20 mil pessoas e com o estádio a esgotar em duas horas, as 50 mil pessoas que estarão no jogo com o Tottenham. Acho que vai ter uma primeira impressão muito boa, isso é certo”, acrescentou o treinador espanhol, em palavras que acabaram por ganhar prolongamento depois com o capitão Ödegaard.

“Acho que todos viram o que ele fez na carreira até agora. Especialmente na última temporada no Sporting, os números falam por si só. É um jogador muito completo. É físico, forte, rápido, bom finalizador e inteligente também. Acho que é um avançado muito completo e também se vê a vontade, a energia que ele traz. Estou muito entusiasmado por tê-lo na equipa. Ele só treinou algumas vezes mas já se consegue ver a qualidade, a energia e a vontade. Proximidade? Obviamente, com o idioma e tudo mais, tem sido mais fácil para mim ajudá-lo. Podemos falar a nossa própria língua. Os escandinavos dão-se sempre bem uns com os outros. Tentamos ajudar todos os novos jogadores da melhor maneira possível. Foi isso que senti quando cheguei aqui, senti-me em casa imediatamente. Senti como a cultura e o ambiente eram bons para me integrar. Todos querem ajudar-te e tirar o melhor de ti”, salientou também o médio norueguês.

Apesar de ter tentado treinar o melhor possível enquanto Sporting e Arsenal tentavam fechar a transferência, como contou numa entrevista ao The Athletic, Viktor Gyökeres procura ainda a melhor forma, o que não impediu que fosse mesmo lançado nos últimos 15 minutos do particular com o Tottenham no Kai Tak Sports Park, em Hong Kong, por sinal um dos melhores exemplos para o projeto do Benfica District ser desenhado. Apareceu pouco em jogo, tocou um par de vezes na bola, não conseguiu fazer qualquer remate, percebeu que enfrentará problemas contra equipas que baixem muito o bloco tendo em conta que o Arsenal raramente faz um recuo de linhas para explorar depois a profundidade. Contudo, a forma como o público reagiu quando entrou em campo mostra que o sueco é visto como uma espécie de “último milagreiro” para chegar ao título.

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O encontro começou com um natural ascendente do Arsenal, a tentar montar arraiais junto da área contrária e a mostrar os argumentos do costume nas bolas paradas ofensivas (Saliba teve um desvio com muito perigo na área após um remate de Ödegaard), mas com o Tottenham a ter todas as grandes oportunidades para criar perigo incluindo três bolas nos postes: a primeira surgiu num canto à esquerda com ação de Micky van de Ven junto de David Raya (10′), a segunda num remate de Odobert que foi ainda desviado pelo guarda-redes dos gunners para canto tocando no ferro (28′), a terceira na sequência de mais um canto com Richarlison a não conseguir encostar na pequena área para a baliza (29′). Tantas tentativas acabaram por ser premiadas em cima do intervalo, com Pape Matar Sarr a aproveitar uma perda de bola de Myles Lewis-Skelly a meio-campo ficando a queixar-se de falta para fazer um chapéu a David Raya e inaugurar o marcador (45′).

O segundo tempo teve mais de “Premier League”, quase como se existissem pontos em disputa e os spurs agora comandados por Thomas Frank quisessem controlar a vantagem explorando as saídas rápidas. Van de Ven, depois de uma grande iniciativa de Odobert pela esquerda, teve mais uma boa oportunidade para fazer o 2-0 mas era o Arsenal que assumia de vez a partida, com Martinelli e Ödegaard a terem ameaças que não passaram disso mesmo. Todos esperavam aquele que seria o grande momento do jogo, com as bancadas de pé em delírio perante a entrada de Gyökeres em campo durante a paragem para hidratação (77′) quando Zubimendi, Trossard (que saiu lesionado) e depois Mikel Merino e Mosquera também já estavam em campo. Apesar da pressão, com o sueco ainda meio fora do jogo, o resultado não mais viria a mexer, com os gunners a consentirem a sua primeira derrota na pré-temporada na véspera do regresso a Inglaterra.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]