“Sabem uma coisa? Não me importa que me chamem ditador.” Controverso e provocador, o Presidente do El Salvador, Nayib Bukele, de 44 anos, poderá agora manter-se no poder para sempre. O Parlamento do país da América Central votou a favor, esta quinta-feira, uma reforma constitucional que permite que um chefe de Estado se recandidate a vários mandatos consecutivos.

Controlado pelo partido de Nayib Bukele (que tem 57 deputados em 60), o Parlamento aprovou a “reeleição sem reservas” de um Presidente, o aumento da duração de um mandato presidencial (de cinco para seis anos), a eliminação de uma segunda volta e também que todas as eleições (legislativas, presidenciais e municipais) ocorram na mesma data.

O Parlamento também reduziu em dois anos o atual mandato de Nayib Bukele. Assim, as próximas eleições presidenciais vão ocorrer em 2027 e não em 2029, como estava previsto inicialmente. O atual Presidente pode agora ser reeleito.

“Obrigado por fazerem história, colegas deputados”, afirmou o presidente do Parlamento, Ernesto Castro, pertencente ao partido Novas Ideias, o mesmo de Nayib Bukele. Uma das poucas vozes críticas no hemiciclo, Marcelo Villatoro, declarou que a “democracia morreu em El Salvador”.

A última eleição já tinha motivado alguma contestação. A Constituição de El Salvador apenas permitia que os chefes de Estado assumissem um mandato de cinco anos, mas Nayib Bukele, eleito pela primeira vez em 2019, conseguiu pressionar o poder judicial para que pudesse ser reeleito.

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No discurso da reeleição, Nayib Bukele declarou que não se importava de ser chamado “ditador”, após várias organizações internacionais terem criticado as manobras judiciais para que se mantivesse no poder. “Prefiro ser chamado ditador do que ver salvadorenhos a ser mortos nas ruas”, defendeu.

Nos últimos anos, apesar de ser criticado por subjugar o poder judicial ao político, Nayib Bukele converteu-se num político bastante popular em El Salvador por causa da “luta contra os gangs” — diminuiu a violência nas ruas através de uma lei que permite detenções sem qualquer mandato judicial.

Uma grande sondagem publicada em junho de 2025 mostra que 85% dos salvadorenhos têm uma opinião positiva sobre Nayib Bukele, que é considerado um dos maiores aliados na América Latina da administração Trump.