O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, excluiu esta sexta-feira o filho Nikolai como sucessor, na véspera do quinto aniversário dos protestos contra a alegada fraude eleitoral que lhe permitiu ser reeleito em agosto de 2020.
“Não, ele não é um sucessor. Sabia que queriam perguntar isto”, disse numa entrevista à revista norte-americana Time, transmitida pela televisão estatal bielorrussa, citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Com 20 anos de idade, Nikolai Lukashenko, o terceiro filho de Alexander Lukashenko, tem sido referido como possível sucessor do pai por o acompanhar com frequência, incluindo à Assembleia-Geral das Nações Unidas, quando tinha 11 anos.
Por sua vez, Alexander Lukashenko, com 70 anos, no poder desde 1994 e que renovou o mandato nas eleições de janeiro deste ano, disse que não se candidataria novamente à presidência. “Não, não tenciono fazê-lo agora”, respondeu.
O líder bielorrusso e principal aliado do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assegurou não ter dúvidas quanto ao apoio de Moscovo à Bielorrússia.
“Sei o quanto a Rússia se preocupa com a Bielorrússia. Não é como o Irão, a Coreia do Norte ou a Arménia. No Irão não vale a pena que duas potências nucleares se confrontem. Mas a Bielorrússia vale. A Ucrânia também não”, afirmou.
No final de junho, Minsk libertou o principal opositor de Lukashenko, Sergey Tikhanovsky, e 13 outros presos políticos, após uma visita do enviado norte-americano Keith Kellogg.
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Tikhanovsky foi preso em 2021 por “organizar distúrbios em massa, incitar ao ódio e ações que perturbam gravemente a ordem pública” relacionados com os protestos em 2020 após a reeleição de Lukashenko no meio de acusações de fraude.
Os manifestantes, que pediam a vitória eleitoral da mulher de Tikhanovsky, Tatiana Tikhanovskaya, foram reprimidos com a ajuda das forças de segurança russas.
Dezenas de milhares de pessoas saíram então à rua, nas maiores manifestações da história do país, a que as autoridades reagiram com violência, detendo e espancando milhares de pessoas e forçando cerca de 500.000 ao exílio.
A repressão atraiu condenação internacional, e os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções à Bielorrússia.
Em janeiro, Lukashenko conquistou mais um mandato numa eleição avaliada por observadores independentes como orquestrada para o manter no cargo.
Para assinalar o quinto aniversário do início dos protestos em massa, a oposição bielorrussa exilada agendou manifestações em Varsóvia para sábado e domingo.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bielorrússia convocou na terça-feira o encarregado de negócios polaco e denunciou o que descreveu como um evento hostil que “prejudica as relações entre a Bielorrússia e a Polónia”.