Um prisioneiro está a ser acusado de matar o companheiro de cela no Estabelecimento Prisional de Murcia na madrugada desta sexta-feira. O caso foi confirmado pela Secretaria-Geral das Instituições Prisionais, que está a investigar o caso com pela Guardia Civil espanhola.

Segundo o jornal La Opinión de Murcia, o alegado agressor deu entrada no estabelecimento há apenas dois dias, em regime de prisão preventiva. Já a vítima era um homem de meia idade também em preventiva por alegadas agressões sexuais e que sofria de problemas de saúde mental.

Os prisioneiros, ambos de nacionalidade marroquina, partilhavam uma cela naquele que era considerado o departamento “mais tranquilo” da prisão, escreveu a Cadena SER — um “módulo de respeito”, dedicado a reclusos de baixo risco. Já as fontes do El País sublinham que nenhum deles era considerado “conflituoso“.

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De acordo com este mesmo jornal, o autor terá tirado a tampa de uma lata vendida na cantina do estabelecimento para a prática do crime. Os reclusos nas celas ao pé terão gritado que estava a haver uma agressão, tendo os guardas prisionais encontrado o homem já com um “ferimento profundo no pescoço causado por um objeto cortante“, levando depois o agressor para uma cela na solitária.

Estes homicídios, apesar de excecionais, não são novos. O sindicato de funcionários prisionais Acaip-UGT denunciou ao El País que alertava há vários anos para o risco da venda de embalagens que possam ser usadas como arma nas prisões, afirmando que não foi a primeira vez que uma lata de atum foi utilizada numa agressão.

O jornal espanhol lembra outros dois homicídios na prisão, ainda que sem o uso da mesma arma. O primeiro, em dezembro de 2018, envolveu um prisioneiro identificado como Jesús R.H., perito na arte marcial muay thai, que matou o companheiro de cela com agressões após uma discussão sobre quem ficava com as camas de cima e de baixo no beliche, tendo sido condenado a 12 anos de prisão por homicídio em 2020.

Em fevereiro de 2024, Dilawar Choudhary, então preso preventivamente depois de confessar ter matado três idosos irmãos entre os 68 e os 72 anos, matou o seu companheiro desferindo vários golpes com um haltere, alegando que era “muito sujo, tanto na sua higiene pessoal, como na arrumação da cela” e que olhava para ele “de uma forma que não gostava“.