São cada vez mais evidentes os avanços territoriais russos na região de Donetsk. Com a região de Lugansk já completamente tomada, as forças de Moscovo tentam conquistar a parte de Donetsk que ainda se mantém sob controlo ucraniano. E, nos últimos dias, a situação tem estado “bastante caótica”, notou o grupo de monitorização da guerra DeepState, com as forças russas a romperem as linhas ucranianas e a aproximarem-se da cidade de Dobropillia, enquanto apertam o cerco a Pokrovsk.
“O inimigo, tendo encontrado lacunas na defesa, está a infiltrar-se mais profundamente, tentando rapidamente consolidar e acumular forças para um maior avanço”, sublinhou o grupo, citado pelo New York Post.
As forças russas aproveitaram a vantagem em número de recursos de infantaria e soldados para romperem as defesas ucranianas e avançaram cerca de 16 quilómetros (10 milhas) a norte da estratégica cidade de Pokrovsk, naquele que já é considerado um dos mais bem sucedidos ataques russos deste verão. “Pessoal, estamos com problemas aqui”, escreveu Rima Ziuraitis, um norte-americano que se alistou como médico nas forças armadas ucranianas, na rede social X. “Enquanto Putin e Trump mantêm todos distraídos, a Rússia rompeu as nossas linhas em Pokrovsk. A situação é crítica“, disse, citado pela CNBC.
Forças russas estão a dez quilómetros de Dopropilia depois de avanço-relâmpago
Com o avanço através do norte de Pokrovsk, a Rússia aproximou-se de uma outra cidade da região de Donetsk que até agora não estava ameaçada: trata-se de Dobropilia, um dos últimos redutos ucranianos no Donbass. De acordo com a DeepState, grupos de assalto russos entraram nas aldeias de Kucheriv Yar, Zolotyi Kolodiaz e Vesele, enquanto vão construindo fortificações nessas áreas.
De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), os próximos dias podem ser decisivos para determinar se a Rússia pode transformar os ganhos táticos perto de Dobropillia em estratégicos.“Os próximos dias na área de operações de Pokrovsk provavelmente serão críticos para a capacidade da Ucrânia de evitar ganhos russos rápidos no norte e noroeste de Pokrovsk”, escreveu o ISW.
O grupo DeepState teme que Dobropillia (uma cidade que, antes da guerra, tinha cerca de 30 mil habitantes) possa ser tomada antes de Pokrovsk, com as forças russas já a menos de dez quilómetros da cidade. As forças russas cortaram ainda parcialmente a estrada T-0515, que liga Pokrovsk a Dobropillia, uma rota de abastecimento fundamental para as tropas ucranianas.
Cerco a Pokrovsk aperta, zona reforçada com forças Azov
O presidente ucraniano veio entretanto desvalorizar os avanços russos na região, referindo que as forças de Moscovo estão a tomar posições com unidades que se deslocam a pé e em veículos leves, sem apoio de veículos blindados mais pesados. “Alguns já foram localizados — alguns mortos, alguns feitos prisioneiros”, disse Zelensky esta terça-feira. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, já ordenou o envio de mais soldados ucranianos para a região de forma a conter os avanços russos e “destruir grupos de sabotagem inimigos que penetram além da linha de defesa”.
▲ A cidade de Pokrovsk é um alvo dos bombardeamentos russos há mais de um ano
Anadolu via Getty Images
Para além do avanço em direção a Dobropillia, as forças russas aumentaram a pressão sobre a cidade de Pokrovsk, que está cada vez mais cercada. Os militares russos estão cada vez mais próximos da importante autoestrada M-30 (que liga a Pokrovsk a Pavlohrad, já na região de Dnipro) e terão já grupos de reconhecimento dentro da cidade. “Pokrovsk e Myrnohrad estão quase cercados. Kostiantynivka está com um cerco parcial”, disso o ex-combatente do batalhão Azov Bohdan Krotevych no X, citado pelo Kyiv Independent. Um 1.º corpo Azov da Guarda Nacional da Ucrânia já assumiu posições defensivas na zona para tentar travar as forças russas. A unidade já descreveu a situação como “complexa e dinâmica”.
Mais a norte, a situação em torno da cidade de Kostiantynivka também preocupa os analistas militares. As unidades russas estão a avançar a partir do sul e do leste (neste último caso a partir de cidade de Chasiv Yar, tomada recentemente pela Rússia) e estão estão já poucos quilómetros de Kostiantynivka.