Um jovem de 28 anos incendiou nesta quarta-feira um dos balcões de check-in do aeroporto de Malpensa, em Milão, Itália, com um líquido inflamável e, posteriormente, destruiu os ecrãs digitais com um martelo, avança a Ansa, agência de notícias italiana.
O incidente ocorreu por volta das 10h30, hora local (9h30 em Lisboa), depois de, no dia 16 de agosto, lhe ter sido impedida a entrada num voo para a Arábia Saudita devido à posse de um passaporte falso, segundo o jornal Corriere della Sera. Foi, por isso, excluída qualquer motivação terrorista.
Imagens de vídeo publicadas nas redes sociais por Fabiola Gomes, no Instagram “Assessoria Leardini”, rapidamente viralizaram.
“Estava no aeroporto para receber um familiar quando vi fogo por todo o lado e um rapaz com um martelo a bater no balcão”, disse a autora do vídeo em declarações à BBC.
Um funcionário tentou apagar as chamas, enquanto um responsável da SEA, a empresa que gere os aeroportos de Milão, interveio, lançando um extintor contra o agressor, segundo a agência de notícias italiana.
O aeroporto foi evacuado por razões de segurança, após fumo denso no interior.
“Não houve perturbações significativas no tráfego aéreo”, disse um porta-voz do aeroporto em declarações ao jornal Corriere della Sera.
“Eu vi que o balcão de check-in do outro lado estava a arder. Ouvi estalos e um homem vestido de branco, com uma máscara cirúrgica e um gorro, estava a gritar”, contou uma turista inglesa, que se encontrava no local, ao jornal britânico Mirror. “Todos ao meu redor estavam em pânico. Achei que ia morrer”, acrescentou.
Vários passageiros abandonaram malas e carrinhos, por temerem estar perante um atentado terrorista.
O homem é originário do Mali, mas vive em Milão com uma autorização de residência por proteção internacional subsidiária, concedida a pessoas que não cumprem os critérios para serem reconhecidos como refugiados, mas que não podem regressar ao seu país por aí se verificar a violação sistemática dos direitos humanos.
O jovem já tinha sido detido 24 horas antes por ter destruído a montra de uma loja em Milão com um martelo.
No meio do tumulto, o homem chegou a atingir alguns funcionários do aeroporto, tendo sido imobilizado por vários passageiros e seguranças da SEA até chegar a polícia aeroportuária italiana.
“Não é fácil imobilizar imediatamente um indivíduo exaltado apenas com as mãos. Se dispuséssemos de meios para bloquear a ação, os danos no aeroporto seriam menores”, observou o presidente da ENAC (autoridade nacional de aviação civil italiana), Pierluigi Di Palma, em declarações à agência de notícias Ansa.
O detido aguarda julgamento sumário marcado para esta quinta-feira.
[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
Texto editado por Dulce Neto