O Papa Leão XIV deverá visitar o Líbano ainda este ano, provavelmente em dezembro, revelou o cardeal libanês Béchara Boutros Raï numa entrevista ao canal televisivo Al Arabiya, citada pela Agência Reuters. Esta viagem ao Médio Oriente, dilacerado pela guerra nos últimos anos, deverá ser a primeira deslocação internacional do novo Papa.
De acordo com o cardeal Raï, que é o patriarca de Antioquia e líder da Igreja Maronita (igreja de rito siríaco em plena comunhão com Roma), ainda não há uma data concreta para a visita de Leão XIV, mas “as preparações já estão em curso”.
A Reuters diz ter confirmado a informação da preparação de uma visita papal no final do ano também com uma fonte das autoridades libanesas. Por outro lado, uma fonte do Vaticano disse à mesma agência que a viagem está a ser planeada e poderá incluir passagens por outros países, incluindo a Turquia. Aliás, já se sabia que a primeira viagem internacional do Papa Leão XIV deveria incluir a Turquia, para comemorar, ao lado do patriarca ortodoxo de Constantinopla, os 1.700 do Concílio de Niceia.
No Líbano, estima-se que vivam cerca de 2 milhões de católicos. A principal denominação católica no país é a Igreja Maronita, uma das 23 igrejas sui iuris orientais em plena comunhão com Roma que integram a Igreja Católica. Além do Líbano, os maronitas vivem também na Síria e em Israel — e espalhados pelo mundo, em países como os EUA, o Brasil ou a Austrália.
Em declarações à BBC, outro eclesiástico libanês, o arcebispo Paul Sayah, também confirmou que a viagem está a ser preparada e que terá um peso simbólico num momento em que o mundo se vê submerso em conflitos armados, concretamente no Médio Oriente. “O Líbano é um país multicultural e multirreligioso e é um lugar de diálogo”, afirmou o arcebispo. “É um dos raros ambientes em que muçulmanos e cristãos vivem juntos e se respeitam uns aos outros. [A visita] envia uma mensagem à região.”
Uma deslocação de Leão XIV ao Líbano levará o Papa não apenas a um país diretamente envolvido num conflito armado (com a recente tensão na fronteira entre Israel e o Hezbollah), mas colocará o líder da Igreja Católica muito perto da guerra na Faixa de Gaza — um tema sobre o qual Leão XIV se tem multiplicado em apelos à paz.
“Toda a gente está a falar para Israel, mas Israel não ouve”, diz o arcebispo Sayah à BBC. “Netanyahu não parece ouvir muito, mas quanto mais [líderes falarem], melhor. Se o Papa juntar a sua voz e a sua preocupação, penso que é provável que tenha algum impacto.”
Uma viagem apostólica ao Líbano chegou a ser ponderada pelo Vaticano ainda durante o pontificado do Papa Francisco, mas acabou por não avançar devido ao agravamento do estado de saúde do pontífice.
Recentemente, Leão XIV aproveitou o quinto aniversário da explosão no porto de Beirute, que matou 200 pessoas, para lembra que o “amado e sofrido Líbano” está no “centro” das orações dos católicos.
Leão XIV foi eleito Papa a 8 de maio deste ano, três semanas depois da morte do Papa Francisco, a 21 de abril, aos 88 anos.