O Gabinete do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos na Colômbia condenou esta sexta-feira os dois atentados contra um helicóptero da polícia e uma base aérea, que deixaram, pelo menos, 18 mortos e mais de cinquenta feridos.
“Condenamos o ataque indiscriminado com explosivos em Cali, que até o momento deixou, pelo menos, cinco civis mortos e 42 feridos”, afirmou o organismo na rede social X, antes das próprias autoridades colombianas confirmarem que o número de mortos e feridos neste ataque, em particular, subiu para seis e 65, respetivamente.
1/Condenamos el ataque indiscriminado con explosivos en #Cali, que deja hasta el momento al menos 5 personas civiles muertas y 42 personas heridas. Urgimos a los grupos armados no estatales a respetar los derechos humanos y el #DIH, en particular, el principio de distinción. Nos…
— ONU Derechos Humanos Colombia (@ONUHumanRights) August 21, 2025
Horas antes, um outro ataque, aparentemente com um drone, contra um helicóptero da polícia da brigada antidroga na localidade de Amalfi, no departamento de Antioquia, matou, pelo menos doze polícias.
O escritório das Nações Unidas instou os grupos armados não estatais a “respeitarem os direitos humanos e o direito internacional humanitário (DIH), em particular, o princípio da distinção”, que obriga a diferenciar entre combatentes e população civil, para evitar ataques contra pessoas não envolvidas no conflito.
“Apelamos ao Estado para que atenda às vítimas e avance com as investigações pertinentes para esclarecer os factos e garantir a justiça”, acrescentou.
Este segundo ataque ocorreu na tarde de quinta-feira nas proximidades da Escola Militar de Aviação Marco Fidel Suárez, numa avenida movimentada de Cali, a principal cidade do sudoeste do país.
O Presidente colombiano, Gustavo Petro, atribuiu os fatos ao Estado Mayor Central (EMC), a maior dissidência da antiga guerrilha das FARC, e afirmou que foram uma “reação terrorista” a uma ofensiva do exército colombiano na região do Cañón del Micay, no departamento vizinho de Cauca, contra o grupo armado.
Relativamente ao ataque em Amalfi, Antioquia, o escritório das Nações Unidas, condenou “a morte violenta de 12 polícias e um número ainda por determinar de feridos pelo ataque ao helicóptero em que se deslocavam enquanto realizavam tarefas de segurança pública”.
1/Condenamos la muerte violenta de 12 policías y un número aún por determinar de heridos por ataque a helicóptero en el q se transportaban mientras desarrollaban labores de seguridad pública. #Amalfi #Antioquia @PoliciaColombia @GobAntioquia
— ONU Derechos Humanos Colombia (@ONUHumanRights) August 22, 2025
O organismo expressou as condolências às famílias das vítimas e voltou a exortar os grupos armados não estatais a respeitar os direitos humanos e as autoridades a “investigar, julgar e punir os responsáveis”.
Também a responsabilidade deste foi imputada pelas autoridades colombianas ao EMC, liderado por Néstor Vera, conhecido como “Iván Mordisco”, que opera nos departamentos do sul, leste e oeste da Colômbia.
Os dois ataques levaram diversos setores da sociedade colombiana a exigir do Governo de Petro ações contundentes contra os grupos armados ilegais, cuja violência se intensificou nos últimos meses.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou que, em 2024, o conflito armado colombiano atingiu o seu ponto mais crítico desde o acordo de paz com as FARC em 2016 e que 2025 se perfila como o ano com as piores condições humanitárias da última década.