Inspirado no lendário Expresso do Oriente (o comboio de luxo inaugurado em 1883 e que fazia inicialmente a ligação entre Paris e Istambul), o La Dolce Vita percorre a costa italiana e tem, agora, uma nova rota entre Palermo, na Sicília, e Roma — o primeiro trajeto de um comboio de alto nível no sul de Itália. Depois de quatro meses a cruzar a região vinícola da Toscana, Veneza e a costa da Ligúria, a estreia na Sicília foi acompanhada por vários jornalistas e passageiros convidados.
O projeto, inaugurado em abril deste ano, resulta de uma parceria entre o Orient Express, do grupo Accord, a empresa italiana Arsenale e a Ferrovie dello Stato Italiane e tem como objetivo recuperar a tradição das viagens ferroviárias de luxo do século XX, como a do Expresso do Oriente, o comboio luxuoso que foi imortalizado por Agatha Christie no livro Um Crime no Expresso do Oriente. Este novo transporte presta, também, homenagem à “Dolce Vita“, o período histórico de grande diversidade artística em Itália na década de 1960.
“Em 1883, o Expresso do Oriente foi o primeiro a mostrar que se podia viajar lentamente em conforto. Hoje, a procura por este tipo de experiência é maior do que naquela altura”, afirmou Stefano Sgambellone, diretor do La Dolce Vita.
O comboio é composto por 12 cabines de luxo, 18 suites, uma suite “La Dolce Vita” e um restaurante, um lounge e um bar. Os interiores foram concebidos pelo estúdio milanês Dimorestudio e, segundo a arquiteta Britt Moran, envolvida no projeto, “a experiência completa a bordo é diferente [do que o resultado no papel], especialmente ao percorrer diferentes regiões do país”.
“Pode comer, dormir e festejar a bordo. É como a experiência de um cruzeiro, mas em vez de ser um barco, é um comboio”, disse Paolo Barletta, que idealizou uma experiência que combina o turismo com a paisagem italiana e a gastronomia regional.
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O trajeto desde Palermo começa com a passagem pela costa norte da Sicília, incluindo Cefalù e Messina, com vistas para as ilhas Eólias. Após a primeira noite a bordo, o comboio é colocado num ferry privado para a travessia marítima de cerca de 30 minutos até ao continente. A viagem prossegue pela costa da Calábria, com paragem na cidade de Maratea, antes de seguir até Roma, onde chega à estação de Ostiense na manhã seguinte.
Durante o percurso, os passageiros têm a oportunidade de visitar locais históricos, como o teatro grego de Taormina, e de participar em atividades gastronómicas e culturais. Para Sgambellone, “os passageiros procuram o La Dolce Vita não apenas pelo comboio, mas porque é uma forma de descobrir Itália”.
Os preços variam conforme o percurso e o tipo de cabine escolhidos. Um itinerário de uma noite custa 3.500 euros por pessoa numa cabine de luxo e 4.700 euros numa suíte. O trajeto Palermo–Roma, com duas noites a bordo e atividades incluídas, está disponível a partir de 9.440 euros, podendo atingir 11.280 euros.
De acordo com Dario Minutella, analista do setor de luxo e moda na consultora Kearney, “o mercado de viagens ferroviárias de gama alta está a crescer de forma significativa. Não se trata apenas de milionários, mas de pessoas com recursos e tempo disponíveis para investir numa experiência”.
O La Dolce Vita Oriente Express prevê atingir uma frota de seis comboios, todos em circulação exclusiva em território italiano, com itinerários entre uma e três noites. A iniciativa integra-se no esforço de recuperação de linhas ferroviárias desativadas, promovido pela Ferrovie dello Stato Italiane, através do projeto Timeless Tracks, que abriu também percursos históricos a preços acessíveis em regiões pouco visitadas.