“Um ogre” e um “predador às portas da Europa”. Foi deste modo que o Presidente francês, Emmanuel Macron, classificou o seu homólogo russo, Vladimir Putin, numa entrevista que fez ao canal LCI a 19 de agosto. A forma como adjetivou o Presidente da Rússia enfureceu o Kremlin, que reagiu ao “insultos vulgares” do Palácio do Eliseu.
Num briefing aos jornalistas esta sexta-feira, citada pela agência de notícias RIA, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova reagiu e lamentou as “declarações estranhas do Presidente francês em relação à Rússia”. “Às vezes, ultrapassam o limite do razoável e da decência. Tornam-se um insulto vulgar contra a Rússia e o seu povo”, disse.
No entender de Maria Zakharova, a França é que um “predador” — e não a Rússia. A porta-voz destacou que os países ocidentais “subjugaram” a Ucrânia através de uma “ideologia de catadores de lixo”, de maneira a “tirar vantagem política” do conflito armado desencadeado pelo ataque em larga escala da Rússia à Ucrânia em fevereiro de 2022.
Esta sexta-feira, Emmanuel Macron foi confrontado pelas críticas que fez a Vladimir Putin na entrevista a 19 de agosto. O Presidente francês recusou ter insultado o líder russo e não se arrependeu de ter dito que o homólogo era um “ogre”.
“Quando dizemos que há um ogre às portas da Europa, acredito que isso descreve o que georgianos, ucranianos e muitas outras nações sentem profundamente, ou seja, um homem que decidiu caminhar em direção a uma deriva autoritária e autocrática e perseguir o imperialismo revisionista”, explicou Emmanuel Macron, durante uma conferência de imprensa com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
Após ter sido um dos líderes mais céticos em relação às intenções de Vladimir Putin no início da invasão à Ucrânia, Emmanuel Macron transformou-se num dos críticos mais vocais da Rússia.