O construtor alemão de veículos pesados MAN, conhecido pelos seus autocarros, camiões simples e tractores semi-reboque, está integrado na Traton, a divisão de Veículos Comerciais da Volkswagen, em companhia da Scania, e é um dos maiores fabricantes de veículos pesados na Europa. Em Julho, a MAN iniciou a produção em série de tractores semi-reboque de longo curso eléctricos, alimentados por bateria, e o CEO da empresa, Alexander Vlaskamp, está particularmente satisfeito com a eficiência e a rentabilidade do e-truck.
A MAN concebeu o seu camião eléctrico sobre a plataforma dos modelos a gasóleo, o que lhe permite estar de momento a produzir 100 unidades por dia, de ambas as tecnologias. Para ajudar ainda mais os camiões eléctricos, o preço do diesel é substancialmente mais elevado (cerca do dobro) do que nos EUA, o que ajuda a atenuar o elevado preço das baterias. De acordo com Vlaskamp, o MAN e-truck recupera o maior investimento inicial ao fim de 2,5 anos. Como os fabricantes que produzem camiões eléctricos e diesel estimam que os primeiros tenham um período de funcionamento superior aos seus rivais a gasóleo, que superam facilmente os 15 anos, é fácil perceber a vantagem dos camiões a bateria para as empresas transportadoras.
A MAN não é o primeiro fabricante de camiões a produzir modelos de longo curso alimentados por bateria, moda que foi criada pelo Semi da Tesla mas que, entretanto, já foi abraçada pela Volvo, Mercedes e agora a MAN e a sua gémea Scania. O motivo desta adesão tardia, mas em massa, tem como explicação o arranque de importantes subsídios de diferentes Governos à aquisição de veículos pesados eléctricos, uma vez que depois dos automóveis e outros veículos ligeiros de passageiros ou de carga, chegou a altura de combater as elevadas emissões dos camiões de longo curso que, por definição, estão (quase) constantemente em circulação.
Na Áustria, os subsídios vão até 80% do valor de aquisição de um e-truck, para a Noruega suportar 60% e a Irlanda pagar entre 30% e 60% do diferencial entre um camião eléctrico e o equivalente equipado com motor diesel, entre muitos outros países. E numa altura em que os e-trucks ainda são substancialmente mais caros, em virtude da enorme bateria de que necessitam para lhes permitir autonomias superiores a 600 km, mesmo quando transportam quase 40 toneladas, estes incentivos permitem que os camiões eléctricos vejam o seu Custo Total de Propriedade (TCO, total cost of ownership) tornar-se inferior ao de um concorrente diesel ao fim de menos de três anos.