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Não há nada como um pai sem pressa para fazer bem as coisas (a crónica do Famalicão-Sporting)

Este artigo tem mais de 1 ano

Famalicão ainda não tinha perdido e ainda não tinha sofrido golos mas também ainda não tinha defrontado esta versão 2.0 de Pedro Gonçalves, que voltou a marcar e a assistir para a reviravolta (1-2).

Pedro Gonçalves foi o primeiro jogador a marcar ao Famalicão esta época 382 minutos depois e ainda fez a assistência para o 2-1 de Luis Suárez
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▲Pedro Gonçalves foi o primeiro jogador a marcar ao Famalicão esta época 382 minutos depois e ainda fez a assistência para o 2-1 de Luis Suárez

Eurasia Sport Images

▲Pedro Gonçalves foi o primeiro jogador a marcar ao Famalicão esta época 382 minutos depois e ainda fez a assistência para o 2-1 de Luis Suárez

Eurasia Sport Images

A derrota no clássico com o FC Porto em Alvalade foi um travão à caminhada que a equipa levava (além de ter sido o primeiro desaire de Rui Borges no Campeonato desde que chegou ao clube), o fecho do mercado de transferências teve também um imprevisto de última hora com a impossibilidade de fechar Jota Silva ainda a tempo de ver a transação confirmada, os regressos das seleções não trouxeram as melhores notícias tendo em conta os problemas físicos de Geny Catamo, a que se juntou uma lesão de Rui Silva no treino num leque de opções que já não contava com Diomande, Morita, Maxi Araújo, Daniel Bragança e Nuno Santos. A viagem a Famalicão seria sempre uma das deslocações mais complicadas do Sporting em termos internos esta época mas o avolumar de condicionantes tornava a missão ainda mais difícil para o bicampeão nacional.

Famalicão-Sporting. Leões tentam regressar aos triunfos na Liga antes do início da Champions

“Será um grande jogo, contra uma boa equipa, que entrou bem no Campeonato e que ainda não sofreu golo. É muito agressiva nos duelos, recorre muito às faltas, em 2025 ainda não perdeu nenhuma partida em casa. Há dez jogos que não perde em casa e só isso demonstra bem a qualidade deles. Será difícil, perante um bom adversário, mas queremos dar uma boa resposta, voltar às vitórias e mostrar o caminho. As exibições têm sido boas, com o FC Porto se calhar não tão boa como nas anteriores, mas queremos dar resposta depois de um jogo menos conseguido. Queremos é jogar, respeitando o adversário, que tem qualidade. Vejo a equipa focada, ambiciosa. Quando chegam a jogo os jogadores, estão muito ligados. A ambição de voltarem a ser campeões é infinita”, destacava Rui Borges na antecâmara do encontro, entre elogios aos reforços na Liga.

“Todos, de igual forma, melhoraram o seu coletivo. O nosso grande mérito foi manter a base da época passada, uma equipa bicampeã. Esse era o nosso maior desejo para o mercado. Todas as equipas do Campeonato tornaram-se mais competitivas, não só os grandes. Famalicão, Gil Vicente, Moreirense… Acrescentaram mais qualidade e isso melhora o nosso futebol. Mas o que me preocupa é o meu plantel. Se fiquei satisfeito? O melhor do mercado foi conseguir manter toda a gente da nossa base [menos Gyökeres]. Perder uma referência e manter o resto da equipa, com Pote, Inácio, Trincão, Zeno, jogadores importantes no bicampeonato. Era o nosso maior desejo e isso foi um grande mérito de todos nós. Em relação ao Jota, a estrutura tentou trazê-lo mas na correria não conseguimos. Estava identificado desde a época passada mas não deu. Não há lacuna, o mais importante foi termos conseguido manter a base da equipa”, ressalvou.

Ainda assim, e perante o extenso número de ausências, essa profundidade que o plantel não ganhou voltava a conhecer um duro teste, sendo que o próprio Fotis Ioannidis, que entrou para o lugar de Conrad Harder no plantel, estava ainda em fase de adaptação. “O Ioannidis vai dar muitas soluções e podem encaixar os dois, ele e o Suárez, pelas suas características. Vai acrescentar muita qualidade. Extremo? Tenho tantos: o Maxi, o Mangas… Meus amigos, esqueçam isso. No ano passado não tínhamos soluções e fomos campeões com os miúdos a jogar. Estou contente com o plantel que tenho. Gostava de ter contado com o Jota mas estavam duas partes envolvidas, não controlámos tudo a 100%. Não lamentamos nada”, voltou a frisar, sem querer abrir o jogo em relação às opções que poderiam entrar ou não de início tendo em conta que quatro potenciais titulares iam ficar de fora como Rui Silva, Diomande, Morita e Geny (Maxi Araújo ficou no banco).

Apesar dessas limitações, que se notam depois na forma como a equipa joga pelas características dos novos jogadores que assumem a equipa inicial, o Sporting conseguiu resgatar uma vitória com reviravolta num dos terrenos mais complicados da Liga. Luis Suárez, que vinha de um póquer pela Colômbia, voltou a marcar, Francisco Trincão é cada vez mais desequilibrador a partir do meio podendo cair na ala direita mas a figura voltou a ser Pedro Gonçalves, internacional português que foi pai há três meses das gémeas Benedita e Belém e que está cada vez mais evoluído como jogador em termos táticos nesta nova pele verde e branca, fazendo a diferença com um golo e uma assistência no regresso ao grande palco que o catapultou para Alvalade. Com a tranquilidade que Quenda ou Suárez nem sempre tiveram, foi Pote que conseguiu acalmar as hostes.

Ficha de jogo

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Famalicão-Sporting, 1-2

5.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Famalicão

Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

Famalicão: Carevic; Rodrigo Pinheiro, Justin de Haas, Ibrahima Ba, Pedro Bondo (Joujou, 71′); Marcos Peña (van de Looi, 71′), De Amorim (Abubakar, 88′), Gustavo Sá (Pedro Santos, 80′); Gil Dias, Sorriso e Elisor (Zabiri, 80′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Gustavo Garcia, Otar Mamageishvili e Matheus Colombo

Treinador: Hugo Oliveira

Sporting: João Virgínia; Vagiannidis, Debast, Gonçalo Inácio, Ricardo Mangas (Maxi Araújo, 67′); Hjulmand, Kochorashvili (Ioannidis, 67′); Geovany Quenda, Francisco Trincão (Eduardo Quaresma, 90+2′), Pedro Gonçalves (Alisson, 88′) e Luis Suárez (João Simões, 88′)

Suplentes não utilizados: Diego Callai, Matheus Reis, Iván Fresneda e Rayan Souza

Treinador: Rui Borges

Golos: Gustavo Sá (17′), Pedro Gonçalves (22′) e Luis Suárez (65′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Hjulmand (20′), Gonçalo Inácio (25′), Gustavo Sá (27′), Gil Dias (45+4′), Pedro Bondo (45+5′), Marcos Peña (63′) e Maxi Araújo (90+1′)

Os primeiros minutos foram funcionando como um momento para ganhar referências próprias e contrárias, ficando essas duas imagens da facilidade com que o Famalicão colocava a bola em três/quatro toques no seu último terço em transição e da aposta em Zeno Debast no início da construção do Sporting a partir de trás com alguns passes mais longos à procura da velocidade de Geovany Quenda nas costas de Bondo. Não estava fácil furar as organizações defensivas mas cedo se percebeu que os lances de estratégia podiam ter também peso, com os leões a terem a primeira grande oportunidade na sequência de um livre de Quenda com passe de Hjulmand para Luis Suárez fazer um remate de moinho por cima (6′). Na resposta, Rodrigo Pinheiro, que tem sido um dos principais destaques do Famalicão na presente temporada, subiu pela direita, foi a uma zona mais central ganhar uma bola dividida com Pedro Gonçalves e rematou pouco ao lado (9′). Dois bons lances com apenas dez minutos que abriam ainda mais interesse na partida mais esperada da jornada.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Famalicão-Sporting em vídeo]

Apesar das limitações nas escolhas, os jogadores chamados por Rui Borges davam conta do recado, com o posicionamento de Kochorashvili entre os centrais na primeira fase de construção e o adiantamento depois de Hjulmand a darem boas soluções para os três criativos que estavam no apoio a Luis Suárez e que fizeram entre eles a melhor jogada do quarto de hora inicial, com Pedro Gonçalves a jogar em Francisco Trincão ao meio que isolou Geovany Quenda na área para o remate em arco bem travado por Carevic (15′). O Sporting estava a começar a ter algum ascendente mas o seu principal calcanhar de Aquiles voltou a dar sinal, com mais uma bola parada trabalhada entre Marcos Peña e Gil Dias a partir de um canto à direita a ter um desvio inicial na área e a encontrar Gustavo Sá ao segundo poste para marcar o 1-0 de cabeça (17′).

Podia ter sido um golpe anímico grande, não foi porque a reação foi quase imediata: numa jogada onde foi a movimentação de Vagiannidis que permitiu que Geovany Quenda olhasse para todo o campo a partir do lado direito, o jovem ala lançou Pedro Gonçalves no movimento de rutura que o colocou isolado na área para um toque subtil por entre as pernas de Carevic para o empate (22′). O jogo estava relançado e, apesar de ficar pelo empate a um até ao intervalo, continuou a ser bem jogado e com equipas com ADN de “grande” entre o mérito da estratégia do Famalicão montada por Hugo Oliveira. Francisco Trincão ainda teve um remate a rasar o poste na sequência de uma recuperação em zona alta (30′), Luis Suárez viu um golo ser bem anulado por fora de jogo depois de mais uma interceção no meio-campo contrário (38′), De Haas desviou de cabeça perto da baliza de Virgínia após canto (45+3′) mas não houve mais nenhum golo no primeiro tempo.

Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo, ambos os treinadores sabiam que poderiam ter um problema disciplinar a curto prazo, tendo em conta os cinco amarelos exibidos por António Nobre e o risco que chegou a ser tomado por Gonçalo Inácio numa falta sobre Gustavo Sá que poderia ter trazido nova admoestação. No entanto, a principal razão para não haver alterações era outra: as equipas estavam bem em campo e assim continuaram, com o Sporting a ter mais uma oportunidade flagrante após cruzamento de Ricardo Mangas da esquerda com um remate de Geovany Quenda na área ao poste (49′). Trincão ainda teve mais uma tentativa forte numa segunda bola após canto que saiu por cima (62′) mas começava a chegar o momento das primeiras substituições entre um banco verde e branco com menos opções “válidas” mas com… Ioannidis.

O grego estava na linha de meio-campo pronto para entrar antes do 2-1 da reviravolta, numa jogada entre Pedro Gonçalves e Francisco Trincão em toques curtos à entrada da área que acabou com a assistência para Luis Suárez rematar depois de primeira sem hipóteses para Carevic (65′). Rui Borges não voltou atrás e manteve as opções, com as entradas de Maxi Araújo e Fotis Ioannidis colocando Pedro Gonçalves a jogar um pouco mais recuado pelo meio com Hjulmand. Os minutos iam passando com o Sporting a tentar baixar aos poucos o ritmo da partida e o Famalicão a tentar empurrar os leões para o seu meio-campo tendo um bom lance de Rodrigo Pinheiro pela direita para desvio de cabeça de Elisor por cima (75′). Carevic ainda fez uma grande intervenção numa jogada individual de João Simões nos descontos mas o resultado estava fechado.

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