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A academia britânica Royal College of Defence Studies, localizada em Londres e gerida pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, barrou a entrada de cidadãos israelitas na instituição, que oferece cursos a alunos internacionais. A decisão, anunciada esta segunda-feira, já teve resposta israelita, que acusou o governo do país de “discriminação”.
À Reuters, um porta-voz do ministério falou que o governo decidiu “interromper a participação futura israelita em cursos geridos pelo Reino Unido” na instituição devido à evolução da ofensiva das forças do país na Faixa de Gaza, numa altura em que se preparam para avançar na Cidade de Gaza.
“A decisão do governo israelita para intensificar ainda mais a sua operação militar em Gaza é errada“, sublinhou o porta-voz, afirmando ainda que “é preciso encontrar uma solução diplomática para pôr fim a esta guerra agora, com um cessar-fogo imediato, o regresso dos reféns e um aumento da ajuda humanitária ao povo de Gaza”.
A resposta de Israel veio do diretor-geral do Ministério da Defesa, Amir Baram, numa carta enviada ao Ministério da Defesa britânico e citada pelo The Telegraph, garantindo que o impedimento não se ficou só pelos soldados israelitas, aplicando-se a todos os cidadãos do país.
Na mensagem, Baram considerou que a decisão era uma “rutura vergonhosa com a orgulhosa tradição britânica de tolerância“, assim como da “simples decência”.
“A exclusão de Israel é um ato profundamente desonroso de deslealdade para com um aliado em guerra”, acrescentou Baram, sublinhando que Israel tem estado a “defender o transporte marítimo internacional da agressão houthi”, impedindo “que armas nucleares caiam nas mãos de um regime islâmico que grita ‘Morte à Inglaterra'”, para além de estar a “lutar para trazer de volta 48 reféns do cativeiro do Hamas”.
“A resposta das autoridades é silenciar as vozes israelitas“, continuou, dizendo ainda que “a exclusão de Israel não é nada menos do que um ato de autossabotagem da segurança britânica”.
A Royal College of Defence Studies (RCDS) foi fundada em 1927, desenhada por Winston Churchill, mais tarde primeiro-ministro britânico, quando ocupava o cargo de secretário de Estado para as Colónias, na década de 1920. Entre os ex-alunos que estudaram na RCDS, estão nomes como o atual Presidente da República Checa, Petr Pável, o ex-Presidente paquistanês, Pervez Musharraf e até mesmo o diretor-geral do ministério israelita, Amir Baram, que criticou agora a decisão britânica.
A decisão tomada pelo governo liderado por Keir Starmer ocorre depois da viagem da semana passada do Presidente israelita, Isaac Herzog, ao Reino Unido, onde se encontrou com o primeiro-ministro e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, David Lammy.
Desses encontros, saiu a conclusão do primeiro-ministro britânico de que Israel não estava a cometer genocídio, mas também a declaração de Downing Street de que Starmer tinha “implorado a Israel para mudar de curso” na Faixa de Gaza. Herzog, por seu lado, disse que ambos tinham “discutido com respeito”.
No final de agosto, o executivo de Starmer tinha barrado a inscrição de oficiais israelitas no Defence & Security Equipment International, organizado pelas autoridades britânicas — deixando porém que as empresas de armamento israelita se inscrevessem de forma independente.