No próprio dia em que Charlie Kirk foi assassinado, Barack Obama utilizou a rede social X para reagir ao ato que considerou ser de “violência desprezível” e que não deveria ter lugar na democracia norte-americana, acrescentando que estava a rezar pela família de Charlie nessa noite. Esta quarta-feira voltou a falar do tema publicamente e alertou para as posições oficiais da Casa Branca — cuja prioridade foi apontar “inimigo comum”.

“A premissa central do nosso sistema democrático é que temos de ser capazes de discordar e ter, por vezes, debates realmente controversos sem recorrer à violência”, defendeu, enquanto participava numa conferência da Jefferson Educational Society, uma organização sem fins lucrativos na Pensilvânia.

Partilhou depois a intervenção no YouTube, recordando que o país está, a seu ver, “num ponto de inflexão”, mas que a violência política “não é nova” e “aconteceu em certos períodos” da história dos EUA.

“Tem havido alguma confusão, penso eu, em torno disto ultimamente e, francamente, vinda da Casa Branca e de algumas outras posições de autoridade que sugerem, mesmo antes de se saber quem era o autor deste ato maligno, que de alguma forma vamos identificar um inimigo”, disse, alertando que o debate público que se seguiu ao assassinato do republicano pode servir para aprofundar as divisões políticas e culturais — com Trump a dividir ainda mais o país em vez de trabalhar para unir as pessoas.

Não falava apenas do ataque armado a Kirk, mas também daquele que decorreu contra Melissa Hortman, a congressista democrata do Minnesota assassinada em junho, deixando a advertência: a violência política acontece dos dois lados da moeda.

A Casa Branca respondeu aos comentários de Obama apelidando-o como “o arquiteto da divisão política moderna na América”.

“Obama aproveitou todas as oportunidades para semear a divisão e colocar os americanos uns contra os outros, e após a sua presidência mais americanos sentiram que Obama dividiu mais o país do que aquilo que uniu”, disse Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, num comunicado citado pelo The Guardian.